Capacetes azuis continuam presos na Síria

A situação de dezenas de membros das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) na Síria permanecia "muito, muito fluida", disse o porta-voz do secretário-geral Ban Ki-moon nesta sexta-feira, quando as negociações para a libertação dos chamados capacetes azuis chegou ao seu segundo dia. Foi possível contatar por rádio os 72 funcionários filipinos da ONU que tiveram sua movimentação restringida, afirmou Stephane Dujarric a repórteres. Os outros 44 soldados de Fiji, que foram sequestrados, continuavam detidos.

Estadão Conteúdo

29 de agosto de 2014 | 18h33

A organização não informou exatamente quem estava prendendo os capacetes azuis, cuja missão era monitorar um acordo de separação entre a Síria e Israel. Diversos grupos rebeldes sírios participam de conflitos intensos com o Exército do país nas proximidades das Colinas Golã.

Dujarric afirmou que os diálogos para soltura continuam entre "uma ampla gama de grupos na Síria" e Estados membros da ONU que podem ter influência sobre eles. Os detalhes ainda eram poucos, ele acrescentou. "Aqueles que foram feitos reféns têm água e comida para algum tempo", disse o porta-voz. "Neste ponto, não é uma preocupação extrema."

Tanto as Filipinas como Fiji permaneciam esperançosos que o impasse poderia ser resolvido sem derramamento de sangue. O comandante fijiano, brigadeiro general Mosese Tikoitoga, afirmou que foi informado que seus soldados estão intactos, mas que não foi capaz de contactá-los diretamente. O presidente das Filipinas, Benigno Aquino III, disse que mesmo com a situação tensa, não havia razão para acreditar que suas tropas estavam em perigo imediato.

O incidente teve início na quinta-feira no lado sírio das Colinas Golã, uma área montanhosa dividida entre a Síria e Israel. Tikoitoga contou que três veículos com cerca de 150 rebeldes armados chegaram à base dos membros das forças de paz de Fiji logo no começo da manhã. Ele disse que os insurgentes mandaram os soldados saírem em 10 minutos e insistiram que eles entrassem nos carros.

Os fijianos foram então levados pelos rebeldes para uma localização desconhecida. O comandante afirmou que mais tarde eles foram movidos de volta para a própria base, onde continuam sendo mantidos reféns. "Nós estamos fazendo nosso melhor para garantir a segurança dos sequestrados", ele assegurou.

O brigadeiro general do Exército filipino Domingo Tutaan contou que os rebeldes cercaram dois acampamentos ocupados pelos capacetes azuis de seu país separados por cerca de quatro quilômetros. Os insurgentes exigiram que eles entregassem suas armas, mas os funcionários da ONU resistiram. "Isso causou um impasse", ele afirmou em depoimento. No entanto, "o potencial de amenização ainda é positivo", disse. Segundo o militar, os líderes das forças de segurança filipinos estavam em contato direto com os soldados.

O governo das Filipinas anunciou na semana passada que iria trazer de volta seus 131 soldados dos capacetes azuis baseados nas Colinas de Golã após o fim de seus deveres, em outubro, devido à deterioração das condições de segurança. Fiji, no entanto, afirmou que não será pressionado a recuar de seus esforços de paz na região. "Nós não vamos fugir da responsabilidade sob estas circunstâncias", disse Tikoitoga. Fonte: Associated Press.

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