Washington Post / Melina Mara
Washington Post / Melina Mara

'Capacidade de julgamento' de Flynn era questionada por Trump, diz Comey

Em memorando, ex-diretor do FBI diz que presidente criticou ex-conselheiro de Segurança Nacional

O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 00h49

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao ex-diretor do FBI James Comey que ele tinha sérias preocupações com a capacidade de julgamento de seu primeiro conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, de acordo com o memorando escrito por Comey e obtido pela Associated Press.

O documento de 15 páginas contém novos detalhes sobre uma série de interações entre Comey e Trump, semanas antes da demissão dele do FBI, em maio de 2017. Estes encontros incluem um jantar na Casa Branca no qual a lealdade do ex-funcionário foi cobrada pelo presidente e outro em que o bilionário lhe questionou sobre a duração das investigações sobre Flynn.

De acordo com um dos documentos, Trump reclamou de Flynn em um jantar privado com Comey em janeiro de 2017, dizendo que o ex-conselheiro de Segurança Nacional tinha "sérios problemas de julgamento". Ele então culpou Flynn por um atraso em retornar ao telefonema de felicitações de um líder internacional.

"Eu não comentei qualquer assunto durante esta conversa uma vez que não havia menção a qualquer interesse do FBI em ou em contato com o General Flynn", escreveu Comey.

Flynn foi demitido um mês depois de funcionários da Casa Branca dizerem que ele omitiu contatos com autoridades da Rússia durante o período de transição de governo.

Em um memorando separado, Comey diz que Trump o pediu para deixar de lado a investigação sobre Flynn e o chamou de bom rapaz.

Os memorandos foram entregues ao Congresso na quinta-feira, quando os republicanos aumentaram as críticas ao Departamento de Justiça, ameaçando interrogar funcionários.

Nos últimos meses, funcionários da justiça permitiram que alguns legisladores visualizassem os memorandos, mas nunca forneceram cópias ao Congresso.

Comey está em uma turnê publicitária para promover seu novo livro, "A Higher Loyalty" (Uma lealdade superior, em tradução livre). Ele revelou no ano passado que havia escrito os memorandos depois de conversas com Trump. /Associated Press.

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