Capital da Líbia se prepara para novos confrontos

Saif al-Islam Kadafi, um dos filhos do líder líbio, afirmou que relatos de violência no país seriam parte de uma 'campanha de mídia exagerada' conduzida por 'canais árabes de TV hostis'

Alessandra Corrêa, BBC

26 de fevereiro de 2011 | 08h42

Manifestantes na capital da Líbia, Trípoli, se preparam neste sábado, 25, para novos choques com forças leais ao governo após o líder Muamar Kadafi ter afirmado no dia anterior que abriria os depósitos de munição para seus simpatizantes. Kadafi fez uma aparição pública em Trípoli na qual exortou seus seguidores a lutarem contra os opositores.

Também na sexta-feira, manifestantes opositores ao governo foram atacados por forças leais ao regime em Trípoli. Calcula-se que mais de mil manifestantes já tenham morrido durante os protestos das últimas semanas.

 

'Fogos de artifício'. Saif al-Islam Kadafi, um dos filhos do líder líbio, disse ao editor para Oriente Médio da BBC Jeremy Bowen que os relatos de violência extrema no país seriam parte de uma "campanha de mídia exagerada" conduzida por "canais árabes de TV hostis".

O filho de Kadafi disse não ser verdade que civis tenham sido bombardeados, mas admitiu que a Força Aérea atacou depósitos de munição que estavam em mãos inimigas.

Os sons ouvidos em Trípoli não seriam de tiros, mas de fogos de artifício, disse Saif que criticou os opositores, afirmando que muitos desejariam uma "solução afegã" para o país.

Saif admitiu que o leste do país, nas mãos dos opositores, está "uma bagunça" e que não seriam lançados novos ataques contra as cidades de Misrata e Zawiya na esperança de que uma trégua possa ser negociada.

Assim como seu pai, Saif responsabilizou a rede Al-Qaeda pelo levante.

Diplomacia. Na noite de sexta-feira, os Estados Unidos anunciaram sanções contra o governo líbio, bloqueando bens e transações financeiras de Khadafi e seus aliados.

"As contínuas violações dos direitos humanos cometidas pelo governo líbio, a violência contra sua população e as ameaças revoltantes feitas causaram uma condenação geral e severa da comunidade internacional", disse o presidente americano, Barack Obama, por meio de um comunicado . "Estas sanções, portanto, tem como alvo o governo de Kadafi enquanto protege os bens que pertencem ao povo líbio."

A União Europeia também anunciou na sexta-feira sanções contra o regime de Kadafi.

Em Nova York, o embaixador da Líbia para a ONU, Mohamed Shalgham, falando ao Conselho de Segurança da entidade, condenou Kadafi, três dias após chamar o líder líbio de "amigo".

Após um discurso emocionado, ele foi abraçado por outros diplomatas na ONU. Vários outros representantes líbios anunciaram o desligamento do regime na sexta-feira.

Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban ki-moon, fez um apelo que o Conselho de Segurança tome "ações concretas e decisivas" para lidar com a crise na Líbia.

Evacuação. Cerca de dez mil trabalhadores egípcios que estavam na Líbia estão tentando cruzar a fronteira da Tunísia, criando um problema logístico para o governo tunisiano.

Há relatos de que autoridades líbias estariam confiscando câmeras e telefones celulares para impedir que imagens da situação sejam transmitidas.

 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.