Capital líbia é palco de confrontos pela 2ª noite seguida

Há sinais de que Muamar Khadafi está perdendo apoio; governo nega que líder tenha deixado o país rumo à Venezuela.

BBC Brasil, BBC

21 de fevereiro de 2011 | 19h03

Há relatos de que manifestantes tenham sido atacados por aviões

Manifestantes e forças de segurança voltaram a entrar em confronto nesta segunda-feira na capital da Líbia, Trípoli, pela segunda noite consecutiva.

Testemunhas dizem ter visto tiros sendo disparados de aviões contra os manifestantes, que protestam contra o regime do líder Muamar Khadafi.

Há relatos também de incêndios e de que subúrbios tenham sido isolados pelas forças de segurança.

A volta dos confrontos ocorre após um "comitê de defesa" interino ter pedido, em comunicado na TV líbia, ajuda da população para identificar as "gangues terroristas" responsáveis pelos atos de protestos e supostos danos causados a edifícios governamentais.

Ao mesmo tempo, Saif Al-Islam, filho de Khadafi, havia ordenado a criação de um comitê de investigação sobre as circunstâncias das mortes ocorridas nos confrontos prévios no país. Ele disse que o país corre risco de entrar em uma guerra civil.

Uma correspondente da BBC em Trípoli informa que o aeroporto da capital está lotado com pessoas que tentam deixar o país.

As conexões telefônicas estão com problemas, e é difícil fazer ligações internacionais.

Apoio

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne relata que Khadafi aparentemente perdeu o apoio da maioria dos setores da sociedade.

Nesta segunda-feira, em ato de rompimento com o líder, membros da delegação de diplomatas da Líbia na ONU pediram uma intervenção internacional contra a onda de violência no país.

O vice-embaixador da Líbia no órgão, Omar Al-Dabbashi, fez um apelo por proteção aos cidadãos, alegando que está em curso um "genocídio" patrocinado pelo governo líbio contra manifestantes.

Outros embaixadores líbios decidiram deixar o cargo em protesto contra o uso da violência. De acordo com o jornal Quryna, o ministro da Justiça, Mustafa Abdal Khalil, também renunciou pelo mesmo motivo.

Paradeiro de Khadafi

Também nesta segunda-feira também, surgiram indícios de que Khadafi tenha deixado Trípoli, o que gerou especulações sobre seu destino.

O chanceler britânico, William Hague, citou supostas informações sobre uma possível ida de Khadafi à Venezuela, o que foi negado pelo governo venezuelano.

Em comunicado, o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, também negou a informação e disse ter conversado com o chanceler líbio, Moussa Koussa, quem informou que Khadafi permanecia em Trípoli.

O vice chanceler líbio também negou publicamente que o coronel estivesse a caminho do país vizinho ao Brasil.

Mas a correspondente da BBC em Argel Chloe Arnold citou também relatos de um repórter confiável que foi à casa de Khadafi em Trípoli nesta segunda-feira.

Ele disse que havia poucos seguranças nos portões e que, aparentemente, não havia ninguém na casa.

Repórteres da BBC apuraram que Khadafi estava em território líbio quando conversou com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na tarde desta segunda-feira. Na conversa, Ban disse ter pedido o fim imediato da violência contra os manifestantes e proteção para a população civil.

Tensão nas ruas

O regime comandado por Khadafi lançou uma dura campanha de repressão contra os protestos, que se arrastam há dias consecutivos.

Testemunhas afirmam que manifestantes que saíram às ruas da capital, Trípoli, na noite de domingo, foram atacados por forças de segurança com armas de fogo e gás lacrimogêneo.

Segundo dados de organizações médicas e de direitos humanos, mais de duzentas pessoas teriam morrido desde o início, na semana passada, das manifestações que pedem que Khadafi renuncie após passar mais de 40 anos no poder.

Benghazi, a segunda cidade do país, estaria nas mãos de manifestantes. Segundo testemunhas, a polícia fugiu de Zawiyah, a oeste da capital, e a cidade teria caído no caos. Há relatos de que muitos moradores estariam fugindo para a vizinha Tunísia.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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