Capital norte-coreana tem loja de departamento para estrangeiros

Produtos vendidos no centro de Pyongyang custam quase o mês de salário médio do país; loja não aceita moeda local

LISANDRA PARAGUASSU , ENVIADA ESPECIAL / PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h01

No país mais fechado do mundo, há uma porta para a entrada de produtos importados. No centro da capital da Coreia do Norte, lojas que cobram em dólar, euros, yuans chineses e ienes japoneses oferecem produtos que vão de vinhos franceses a frango brasileiro, de fraldas alemãs a salgadinhos japoneses. Os preços estão muito longe do que pode pagar um trabalhador norte-coreano.

A loja estatal tem três andares, distribuídos entre alimentos, roupas, produtos de limpeza, de beleza e móveis. Lá dentro, vários clientes, poucos falando coreano. Uma família que usa o onipresente broche com a foto de Kim Jong-il compra várias sacolas de biscoitos alemães e paga em euros. Outros clientes são japoneses e ocidentais de diversas nacionalidades.

Nas gôndolas, os preços estão em won. Um pacote de 600 gramas de leite em pó custa cerca de US$ 15. Um pote de creme para bebês italiano, US$ 55. O salário médio de um trabalhador norte-coreano é de cerca de US$ 70.

No caixa, os preços aparecem imediatamente convertidos para quatro moedas estrangeiras. Pode-se pagar com qualquer uma delas, ou com uma mistura. Ou ainda, com um cartão de crédito da própria loja, que só pode ser usado ali - cartões de bandeiras tradicionais não existem na Coreia do Norte.

Dentro da loja de departamentos, os jornalistas não podem fotografar ou anotar os preços dos produtos. Podem comprar, se quiserem, mas não conversar com os funcionários. Estatal, a loja é controlada por gerentes com pose de generais.

Próximo dali, outras lojas, essas para quem paga em won, mostram uma realidade totalmente diferente. Poucos produtos, mais simples, apertados em salas pequenas. Na loja de roupas, uma mistura de calças, camisas e casacos para homens e mulheres em quatro cores: azul-marinho, marrom, branco e preto.

Frutas. Na padaria, dois tipos de biscoito, uma marca de pão, alguns sabores do refrigerante local e garrafas de cerveja coreana. Sorvetes e alguns salgadinhos de milho, todos de produção local, fazem a festa das crianças.

Os dois mundos paralelos da Coreia do Norte se cruzam quando a dona de casa com euros sai da loja de departamentos e compra com wons, do outro lado da rua, frutas com a vendedora de uma pequena banca. A iniciativa privada é totalmente proibida no país, mas, desde a grande fome da década de 90, os mercados e vendedores de rua se proliferaram à revelia do governo e, até hoje, sobrevivem sendo discretamente ignorados.

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