Capitão abandonou navio sul-coreano

Seul registra 25 mortos em naufrágio de quarta-feira e há pelo menos 275 desaparecidos; comandante, de 69 anos, pede perdão às vítimas

MOKPO, COREIA DO SUL, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2014 | 02h02

O naufrágio do Sewol, embarcação que tombou na quarta-feira, no sudoeste da Coreia do Sul, a caminho da ilha turística de Jeju, deixou pelo menos 25 mortos, de acordo com informações da Guarda Costeira e há indícios de que o capitão Lee Joon-seok, de 69 anos, foi um dos primeiros a abandonar o "ferry". São atribuídas a ele falhas determinantes para o afundamento.

Passageiros que escaparam disseram à imprensa local que Lee estava entre os primeiros a serem resgatados, embora não exista um registro dele saindo. Ele pediu perdão e disse estar "profundamente envergonhado" pelo naufrágio. "Sinto muito pelos passageiros e pelos parentes dos desaparecidos", disse ontem o capitão, com o rosto coberto, antes de ser interrogado. "Nem sei mais o que falar."

Autoridades da Guarda Costeira afirmaram que o capitão pode ter alterado a rota marcada pelo governo e feito uma mudança de direção brusca, em vez de girar de forma gradual. Essa mudança poderia ter causado o deslocamento de parte da carga, desequilibrando o navio e provocando o naufrágio.

O capitão tentou estabilizar a embarcação antes de ordenar a retirada dos passageiros. Ao anunciar a ordem, no entanto, era tarde demais para atender e prestar socorro a quem estava preso no convés, de acordo com relatos de tripulantes resgatados. O governo sul-coreano anunciou que não começará as investigações, nem vai oferecer conclusões até que se encerre o trabalho de resgate.

Apesar do vento forte, das correntes marítimas e da água turva, a Guarda Costeira, a Marinha e alguns mergulhadores civis trabalhavam se revezando em turnos. Antes, equipes de resgate martelaram o casco da embarcação na esperança de receber a resposta de algum sobrevivente preso - o que não ocorreu, segundo relatos da imprensa local.

Logo após o naufrágio e o início dos trabalhos de busca, parentes das vítimas disseram ter recebido mensagens de texto com pedidos de socorro por meio de celulares (mais informações nesta página).

Mergulhadores trabalharam em turnos para tentar entrar no navio, mas foram impedidos pelas fortes correntes marítimas, disse o porta-voz da Guarda Costeira, Kim Jae-in. Os mergulhadores planejavam bombear oxigênio para dentro do navio para ajudar eventuais sobreviventes, mas primeiro eles tinham que conseguir entrar, acrescentou.

Com 475 pessoas, entre passageiros e tripulantes, o Sewol virou no trajeto entre o porto de Incheon e a ilha turística de Jeju. Viajavam na embarcação 325 alunos e 14 professores do Colégio Danwon, de Ansan, na periferia de Seul. Foram confirmadas 25 mortes até ontem, sendo cinco estudantes e dois professores. Há cerca de 270 desaparecidos. As autoridades disseram que havia 179 sobreviventes.

Alguns deles contaram que por volta das 9 horas de quarta-feira (21 horas de terça-feira em Brasília) foi possível ouvir um forte estrondo no navio, que foi tombando pouco a pouco até afundar quase totalmente cerca de duas horas depois. Embora o local do naufrágio seja relativamente raso (menos de 50 metros), é perigoso para os cerca de 150 mergulhadores envolvidos na busca de sobreviventes e na recuperação dos cadáveres das vítimas. / AP, EFE e REUTERS

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