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Capitão americano sequestrado por piratas somalis é libertado

Três piratas foram mortos e o quarto foi preso pelo exército americano; Marinha dos EUA confirmou libertação

Agências internacionais,

12 de abril de 2009 | 14h47

Um funcionário da Agência de Inteligência dos Estados Unidos informou neste domingo, 12, que o capitão norte-americano sequestrado por piratas somalis foi libertado nesta tarde. Richard Phillips, de 53 anos, foi solto sem nenhum ferimento, e três dos quatro piratas que o fazia refém foram mortos. O quatro pirata foi preso pelo exército norte-americano. 

 

A CNN relatou que o resgate aconteceu depois de Phillips ter se jogado do bote salva-vidas no qual era mantido refém, momento no qual integrantes da Marinha americana dispararam contra seus sequestradores.

 

O presidente da Maersk Line Limited, a empresa dona do navio sequestrado, John Reinhart, declarou em comunicado que o Governo americano o informou da libertação de Phillips às 14h30 de Brasília, e que deu a notícia para a esposa do capitão, Andrea.

 

Segundo o comunicado, os membros da tripulação da embarcação estão "exultantes" por causa da notícia.

 

Phillips, de 53 anos, foi conduzido a um navio de guerra da Marinha americana localizado a poucos quilômetros do litoral da Somália.

 

Vários navios ancorados na Academia Marítima de Massachusetts, onde Phillips se formou, fizeram soar hoje suas sirenes para celebrar sua libertação.

 

Original do estado americano de Massachusetts, o capitão reside com sua esposa em uma fazenda do século XIX no estado de Vermont, no nordeste do país.

 

Pai de dois filhos, Phillips é um homem que cresceu em uma família de oito irmãos e que foi motorista de táxi para pagar seus estudos na academia marítima.

 

As negociações para seu resgate atravessaram por momentos de grande tensão nas últimas horas, depois de um grupo que intermediava as conversas em nome dos piratas ter interrompido o diálogo por causa de uma ação dos EUA para prender os sequestradores.

 

A suspensão das conversas aconteceu após um breve tiroteio no sábado, quando os piratas tentaram afastar um pequeno bote da Marinha americana que tentou se aproximar para fazer contato direto com eles.

 

Os piratas chegaram inclusive a ameaçar matar Phillips depois de serem atacados.

 

O capitão foi sequestrado na quarta-feira depois de quatro piratas terem abordado o cargueiro "Maersk Alabama", conduzido por ele rumo ao porto queniano de Mombaça com uma carga de contêineres de comida do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.

 

Phillips se ofereceu para ficar como refém para garantir a segurança do restante da tripulação.

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que a coragem do capitão é um "exemplo" para os americanos.

 

"Compartilho a admiração do país pela coragem do capitão Phillips e a preocupação com sua tripulação", assinalou Obama em comunicado.

 

O "Maersk Alabama" chegou ontem ao porto de Mombaça com 19 marinheiros a bordo e 18 agentes de segurança.

 

As negociações para a libertação de Phillips começaram na quinta-feira, quando o capitão do navio de guerra americano "USS Bainbridge" começou a dialogar com representantes dos piratas por sugestão do FBI (Polícia federal americana).

 

Nas últimas horas, três navios de guerra americanos vigiaram de perto o pequeno bote salva-vidas no qual os quatro piratas mantinham o refém, que protagonizou uma fracassada tentativa de fuga na sexta-feira.

 

A notícia da libertação de Phillips chega após o trágico resgate na sexta-feira de um veleiro francês sequestrado em águas da Somália, em uma operação do Exército da França que terminou com a morte de um dos reféns e de dois dos sequestradores.

 

Além disso, outro grupo de piratas sequestrou ontem no Golfo de Áden, ao norte do litoral da Somália, um rebocador americano com bandeira italiana e 16 tripulantes a bordo.

 

Os recentes sequestros serviram para lembrar o problema da pirataria no Chifre da África.

 

Atualmente, há mais de 250 reféns nas mãos de piratas somalis, muitos deles de nações pobres como Bangladesh, Paquistão e Filipinas, o país com maior número de sequestrados, 92.

 

Andrew Mwangura, diretor do Programa de Assistência dos Marinheiros do Leste Africano, lamentou ontem que as outras centenas de reféns em mãos de piratas somalis não tenham rosto nem mereçam uma atenção similar à despertada pelo sequestro de Phillips.

 

"A imprensa e a comunidade internacional estão demonstrando sua hipocrisia", disse ontem Mwangura no porto de Mombaça.

 

Atualizada às 18h04

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