Capitão da Guarda Nacional se rebela contra Cháves

Um dia depois de o coronel da Força Aérea venezuelana Pedro Vicente Soto ter pedidopublicamente a renúncia do presidente do país, Hugo Chávez, outro militar da ativa, o capitão da Guarda Nacional Pedro Flores entregou ao secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Santiago Cantón, um documento no qual acusa Chávez de delitos de traição à pátria e malversação de fundos. Na quinta-feira à noite, manifestantes da oposiçãoimpediram que agentes da Polícia Militar prendessem Soto elideraram um "panelaço" pelas ruas de Caracas exigindo arenúncia de Chávez. A tensão aumentou nesta sexta-feira com a convocação por parte do movimento político que apóia o governo, para queos partidários de Chávez também se manifestassem em defesadele. Declarando "apoio e solidariedade" a Soto eanunciando-se "em rebeldia", Pedro Flores deu entrevista à TVRádio Caracas convocando a população a participar de movimentospela renúncia de Chávez. "Convoco todos aqueles que conhecem averdadeira situação da Venezuela que se unam a nós", exortou. Desafiando a ordem do comando de sua força deentregar-se em 72 horas, sob pena de ser considerado desertor,Soto voltou a manifestar-se hoje contra o governo na PraçaAltamira, em Caracas, onde foi saudado por manifestantes queparticipavam de uma caravana de veículos. "Não me entregarei esó falarei com o comandante-geral da Força Aérea (o brigadeiroRégulo Anselmi Espino) quando as circunstâncias permitirem",declarou. Reiterando que representa "a voz e o sentimento" de75% das Forças Armadas venezuelanas, Soto afirmou queempreenderá "ações até que Chávez saia". Seguindo a tática utilizada pelo governo desde asdeclarações de Soto - de subestimar o descontamento dos quartéiscom a administração de Chávez -, o ministro do Interior eJustiça, Ramón Rodríguez Chacín, declarou que não há sinais detensão nas unidades militares do país. Chacín também reduziu aimportância das marchas contra o governo em Caracas. "Osmanifestantes não são mais do que um grupo pequeno de pessoasque podem ser facilmente contadas", disse. Eleito em 1998 e reeleito, sob a vigência de uma novaConstituição, em 2000, Chávez entrou em conflito com os líderesempresariais e os meios de comunicação do país ao enviar aoCongresso um polêmico pacote de reformas que modifica alegislação, entre outros pontos, sobre a propriedade da terra eos direitos de exploração de pesca e petróleo - produto do quala Venezuela é o 5.º maior exportador mundial. No exterior, Chávez enfrenta também críticas da CasaBranca por causa da aproximação com países considerados"párias" pelo governo americano, como Cuba, Líbia, Iraque eIrã. As relações com o líder cubano, Fidel Castro, motivam asacusações de seus opositores, segundo as quais Chávez pretendeinstalar uma ditadura marxista-leninista na Venezuela. Em defesa do amigo, Fidel manifestou-se hoje, em Havana,qualificando Chávez de "o maior democrata da América do Sul"."O sumiço de US$ 400 bilhões, boa parte dos quais foramroubados, é democracia?", indagou Fidel, referindo-se àsacusações feitas constantemente por chavistas aos regimes que oantecederam. No rastro da crise política, o Banco Central daVenezuela teve de intervir no mercado de câmbio vendendo US$ 125milhões para evitar que a cotação da moeda nacional, o bolívar,despencasse em relação ao dólar. Mesmo assim, 1 dólar, que eracomprado por 773 bolívares na manhã de hoje, fechou a cotação em783 bolívares.

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