Capitão de navio naufragado na Coreia do Sul é detido

Outros dois integrantes da tripulação também foram detidos; naufrágio deixou ao menos 28 mortos

O Estado de S. Paulo,

18 de abril de 2014 | 13h37

JINDO, COREIA DO SUL - O capitão do navio que naufragou na costa da Coreia do Sul na quarta-feira 16, Lee Joon-seok, de 69 anos, foi detido nesta sexta-feira, 18, e acusado formalmente pelos crimes de abandono da embarcação, negligência, lesão corporal, violação da lei marítima e omissão de socorro - ao não pedir ajuda de outras embarcações.

"O senhor Lee é acusado de causar o naufrágio do navio Sewol por não ter diminuído a velocidade e fazer uma mudança de direção de forma brusca", afirmou o promotor Lee Bong-chang à agência sul-coreana Yonhap. Se condenado, o capitão pode ficar até cinco anos preso.

Das 475 pessoas a bordo, sendo 325 alunos do ensino médio de uma escola em Ansa, 179 foram resgatadas vivas. Pelo menos 28 pessoas morreram e cerca de 270 continuam desaparecidas.

Outros dois integrantes da tripulação foram detidos. O capitão e a maioria dos 28 tripulantes abandonaram a embarcação antes do naufrágio, abandonando os passageiros.

Um dos tripulantes preso é um oficial subalterno, de 26 anos, que estava dirigindo a embarcação no momento do acidente. "Ele (capitão) deixou a cabine de comando temporariamente. Estamos investigando onde ele estava no momento do acidente", afirmou o investigador Park Jae-uk.

Lee voltou para a cabine no momento em que o navio começou a tombar, informou Park. Segundo a Yonhap, o oficial de 26 anos tinha um ano de experiência no comando de navios, sendo cinco meses comandando o modelo do Sewol.

Um tribunal vai decidir se Lee deve permanecer preso, como pediram promotores. Após o pedido, a Justiça sul-coreana emitiu a ordem de prisão.

Autoridades confirmaram nesta sexta que as investigações estão centradas na possibilidade de o capitão ter alterado a rota marcada pelo governo e feito uma mudança de direção brusca, em vez de girar de forma gradual. Especialistas dizem que isso poderia ter causado o deslocamento de parte da carga a bordo, desequilibrando o navio e provocando o naufrágio.

Promotores também verificaram os escritórios da empresa proprietária da embarcação, a Cheonghaejin Marine Co., para investigar alegações de que cabines foram adicionadas no navio para acomodar mais passageiros, deixando-o com sobrepeso. Mesmo com a aprovação de todos os testes realizados na embarcação, as autoridades querem saber se a mudança estrutural colaborou para o acidente.

A cada dia a possibilidade de resgatar pessoas vivas diminui e o naufrágio do Sewol pode se tornar uma das piores tragédias da Coreia do Sul, tanto pelo número de mortos como pela idade das vítimas.

Um dos líderes da equipe de mergulhadores, Hwang Dae-sik, disse nesta sexta que a visibilidade embaixo d'água estava tão ruim e as correntes marítimas tão fortes que a sensação era de "se movimentar contra o vento em um furacão, que quase não era possível enxergar a palma da mão".

As correntes se movimentavam na diagonal do casco da embarcação, dificultando a entrada dos mergulhadores. "Nós estamos tentando colocar cordas dentro do navio para podermos utilizá-las como guias na escuridão e ter esperança de resgatar pessoas vivas", explicou Hwang.

Morte. O vice-diretor da escola, que tinha sido resgatado vivo na quarta-feira, foi encontrado morto nesta sexta. Kang Min-gyu, de 52 anos, não era visto desde quinta-feira e cometeu suicídio, disse a polícia. Ele se enforcou em uma árvore do lado de fora de um ginásio na cidade portuária de Jindo, onde parentes dos desaparecidos se reúnem. A polícia informou que começou a procurá-lo depois que um colega professor avisou sobre seu sumiço.

Segundo a polícia, Kang deixou um bilhete que dizia: "Por favor, me classifiquem como o responsável por tudo isso. Eu incentivei a excursão escolar. Cremem o meu corpo e espalhem as minhas cinzas sobre o local naufrágio do navio. Eu possa me tornar um professor de novo na vida após a morte para os alunos cujos corpos ainda não foram encontrados."/ AP e NYT

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