Ahn Young-joon/AP
Ahn Young-joon/AP

Capitão de navio naufragado teve atitude assassina, diz presidente

Lee Joon-seok e integrantes da tripulação não seguiram a ordem de retirar passageiros da embarcação

O Estado de S. Paulo,

21 de abril de 2014 | 08h53

JINDO, COREIA DO SUL - A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, disse nesta segunda-feira, 21, que o capitão e alguns integrantes da tripulação do navio que naufragou na quarta-feira 16 na costa do país tiveram um "comportamento imperdoável, assassino". "O que o capitão e parte da tripulação fizeram é incompreensível do ponto de vista do senso comum, um comportamento imperdoável, assassino."

As acusações da presidente ocorrem no momento em que o governo é alvo de críticas dos parentes das vítimas do naufrágio, que acusam o Executivo de não se esforçar o suficiente no resgate, tomar decisões errôneas e dar informações incorretas.

A transcrição do diálogo entre a cabine do navio e a torre de controle nos 40 primeiros minutos do afundamento revelou erros e contratempos que podem ter impossibilitado que mais passageiros fossem salvos.

Dos 475 passageiros, 174 foram resgatados. O número de mortos subiu para 86 e 220 pessoas estão desaparecidas. Os trabalhos de resgate continuam.

A tripulação enviou às 08h55 da quarta-feira (20h55 de terça-feira em Brasília) uma mensagem radiofônica à torre de controle da ilha de Jeju, destino do navio, para advertir que a embarcação estava "se inclinando".

A cabine recebeu ordens para retirar as pessoas do navio, mas não cumpriu o procedimento, como reconheceu o capitão Lee Joon-seok, que disse aos passageiros para ficarem em seus quartos e esperou mais de meia hora para emitir o alerta de retirada. Lee justificou a demora afirmando que a correnteza marítima estava muito forte.

Especialistas disseram que o capitão poderia ter ordenado aos passageiros para ficarem no convés do navio. Um vídeo mostrou que Lee foi uma das primeiras pessoas resgatadas.

O capitão foi detido e acusado formalmente pelos crimes de abandono da embarcação, negligência, lesão corporal, violação da lei marítima e omissão de socorro - ao não pedir ajuda de outras embarcações.

O promotor Ahn Sang-don, que investiga o naufrágio, informou que mais quatro tripulantes foram detidos sob a alegação de não protegerem os passageiros. Os dois primeiros imediatos, o segundo imediato e o engenheiro-chefe também são acusados de abandono da embarcação.

Segundo o promotor, há a possibilidade de pedir a um tribunal a expedição de um mandado de prisão formal, que permitiria uma detenção pelo período da investigação./ AP e EFE

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