Capitão disse que houve apagão a bordo do Costa Concordia

Comandante entrou em contato com a Guarda Costeira, mas abandonou navio em meio o resgate

Agência Estado

19 de janeiro de 2012 | 16h11

 

ROMA - Novas gravações de áudio foram divulgadas nesta quinta-feira, 19, mostrando o primeiro contato entre os oficiais portuários de Livorno e o navio Costa Concórdia. Na conversa, o capitão Francesco Schettino afirma que o navio sofreu um apagão 30 minutos após ter batido num recife.

 

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Schettino, que foi detido por ter deixado o navio antes de que todos os ocupantes tivessem sido retirados em segurança, pode ser indiciado por assassinato, pelo naufrágio e por abandono da embarcação.

 

Na gravação, Schettino diz ao oficial que estava verificando as razões do apagão, mas não diz voluntariamente que a embarcação bateu num recife. Mas o oficial diz a Schettino que sua agência ouviu de um parente de um marinheiro que "durante o jantar tudo caiu sobre suas cabeças". Passageiros que estavam na sala de jantar informaram que pratos e copos caíram pro todo o restaurante.

 

"Estamos verificando as condições a bordo", responde Schettino. Perguntado se os passageiros foram avisados para colocarem os coletes salva-vidas, ele respondeu: "correto". Tripulantes e passageiros reclamaram sobre a evacuação caótica e a falta de direcionamento da direção do navio.

 

O Costa Concordia, navio de US$ 450 milhões, levava mais de 4.200 passageiros e tripulantes quando bateu contra pedras e recifes nas proximidades da ilha de Giglio, na Toscana, depois que Schettino fez um desvio não autorizado de sua rota.

 

Desaparecidos

 

Os mergulhadores retomaram, nesta quinta-feira, as buscas pelos desaparecidos, mas a previsão de tempo ruim não garante a continuidade da operação e dos planos para a retirada de combustível do navio.

 

Também nesta quinta, mais sete mortos foram identificados pelas autoridades: os passageiros franceses Jeanne Gannard, Pierre Gregoire, Francis Servil, e Jean-Pierre Micheaud; o tripulante peruano Thomas Alberto Costilla Mendoza; o passageiro espanhol Guillermo Gual e o passageiro italiano Giovanni.

 

As autoridades italianas identificaram 32 pessoas que morreram ou estão desaparecidas: 12 alemães, sete italianos, seis franceses, dois peruanos, dois americanos, um indiano, um espanhol e um húngaro.

 

Integrantes da tripulação que voltam para casa começam a falar sobre a caótica evacuação, dizendo que o capitão soou o alarme muito tarde e que não deu instruções sobre como retirar os passageiros. Por fim, os tripulantes começaram a baixar os botes salva-vidas por conta própria. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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