Arquivo/AE
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Capitão do Costa Concordia pede desculpas por acidente na Itália

Francesco Schettino disse que estava distraído no momento da batida do navio que matou 32 pessoas

James Mackenzie, Reuters

10 de julho de 2012 | 21h02

ROMA - O capitão do navio Costa Concordia, que encalhou e naufragou no litoral da Itália em janeiro, pediu desculpas nesta terça-feira pelo acidente em que 32 pessoas morreram e disse que estava distraído quando o imenso navio colidiu com a rocha.

Em sua primeira entrevista na televisão desde o acidente, em 13 de janeiro, Francesco Schettino reconheceu a sua responsabilidade como capitão e disse que pensava constantemente nas vítimas do desastre.

"Quando há um acidente, não é só o navio que está identificado ou a empresa", disse ele ao Canale 5 da Itália, falando calmamente. "O capitão é identificado e, por isso, é normal que eu deva pedir desculpas como representante deste sistema", afirmou.

Schettino, que é acusado de homicídio múltiplo, por causar o acidente e abandonar o navio, falava na TV depois de ser libertado da prisão domiciliar na semana passada.

O capitão nascido em Nápoles admitiu o fracasso em agir de forma decisiva o suficiente quando ficou claro que o navio de 144.500 toneladas chegou muito perto da ilha de Giglio, ao longo da costa da Toscana, onde encalhou.

"Foi um acidente banal no qual houve uma quebra na interação entre seres humanos e isso criou desentendimentos, e é por isso que há tanta fúria", disse. "Foi como se houvesse um apagão na cabeça de todos e nos instrumentos."

"Eu me culpo por ter me distraído", declarou ele, acrescentando que a navegação real do navio estava sob o comando de outro oficial naquela hora.

"Naquele momento, eu subi para o convés e ordenei que o navio fosse colocado em navegação manual e não estava no comando, quero dizer, comandando a navegação do navio. Era o oficial", acrescentou.

Investigadores criticaram muito a forma como Schettino lidou com o desastre, acusando-o de trazer o navio de 290 metros de comprimento para muito perto da costa, atrasando a retirada das pessoas e de perder o controle da operação durante a qual ele abandonou o navio antes que todos os 4.200 passageiros e tripulantes deixassem a embarcação.

Schettino sempre reconheceu ter cometido erros, mas disse que não era o único que deveria ser responsabilizado pela tragédia.

Uma pré-audiência foi feita em março e as investigações também incluem vários outros oficiais e funcionários da empresa proprietária do navio, a Costa Cruzeiros, uma unidade da maior operadora de cruzeiros do mundo Carnival Corp.

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