Capriles abre nova crise entre Caracas e Bogotá

Após líder da oposição venezuelana ser recebido por presidente colombiano, Nicolás Maduro tira seu embaixador e corta mediação com guerrilha das Farc

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2013 | 02h02

A Venezuela anunciou ontem a retirada de seu embaixador da Colômbia e o fim de sua participação nas negociações de paz entre Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As medidas foram tomadas por Caracas em retaliação à visita de Henrique Capriles, líder da oposição venezuelana, ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que a ida de Capriles à Colômbia é parte de uma "operação psicológica" para "debilitar a democracia venezuelana". O chavista acusou o opositor de participar de um plano, "dirigido desde Bogotá", para "assassinar moral e fisicamente" o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello.

Capriles foi recebido anteontem por Santos. A reunião voltou a azedar a relação entre Caracas e Bogotá. Os dois países haviam conseguido uma reaproximação com o fim do governo de Álvaro Uribe e o início do mandato de Santos, em 2010. A rivalidade pública entre Uribe e Chávez foi deixada de lado e as relações e haviam se normalizado.

A Venezuela mediou o início das negociações entre o governo de Santos e as Farc, no ano passado. O próprio Maduro, chanceler venezuelano na época, foi responsável por conduzir o diálogo.

Afastado do centro do poder em Bogotá, Uribe é tratado pelo chavismo como inimigo e acusado de articular um "complô" para prejudicar o governo venezuelano. Durante a campanha eleitoral de abril, Maduro afirmou várias vezes que o ex-presidente colombiano tinha laços com agentes americanos e procurava desestabilizar o país.

'Bomba'. Ontem, Cabello afirmou que a reunião entre Santos e Capriles foi "uma bomba no trem das boas relações" entre os dois governos. Ainda em solo colombiano, o principal líder da oposição venezuelana comentou ontem as acusações feitas por Maduro e Cabello. "Rechaço não apenas essas declarações, mas também digo a nossos irmãos colombianos: não se deixem chantagear pelo governo venezuelano."

O governo da Colômbia não reagiu imediatamente às decisões de Caracas. Até o início da noite de ontem, o presidente Santos não havia se pronunciado oficialmente sobre a escalada de tensão diplomática entre os dois países.

Derrotado por Maduro na eleição presidencial de abril, Capriles ainda não reconhece o resultado das urnas e pediu a impugnação da votação à Justiça. "É absolutamente normal que governos recebam dissidentes", afirmou, acrescentando que a reação de Caracas à viagem foi "desnecessária". Ele pretende fazer um tour pelo exterior denunciando irregularidades na eleição de abril.

O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, declarou que a retaliação do governo chavista "já passou a linha do insólito". Um dos principais nomes da oposição, Ledezma defendeu o encontro entre Santos e Capriles. "Não podemos chegar a um ponto em que colombianos e venezuelanos não podem nem nos cumprimentarmos." / REUTERS, AP e LA TIMES

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