Capriles aceita candidatura e parte para o ataque contra rival chavista

Tom duro. Candidato opositor acusa Maduro de mentir para o país e põe em dúvida data da morte de Hugo Chávez; herdeiro político do presidente morto na terça-feira responde e diz que família do líder 'se reserva o direito de tomar medidas legais'

ROBERTO LAMEIRINHAS , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2013 | 02h01

Após dias de suspense e rumores de que poderia não se apresentar como candidato da oposição venezuelana à eleição de 14 de abril, o governador de Miranda, Henrique Capriles, confirmou ontem sua candidatura e partiu imediatamente para o ataque contra seu rival chavista, Nicolás Maduro, acusando-o de ter mentido ao país sobre a saúde do presidente Hugo Chávez, morto na terça-feira.

"(Os chavistas) estão em campanha neste momento. Estiveram em campanha o tempo todo. Tudo isso estava previamente calculado", declarou Capriles após convocar a imprensa para a sede da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD). "Quem sabe quando morreu o presidente Chávez? Ninguém sabe. Tudo estava controladinho. Nicolás, você mentiu ao país nos últimos meses. Agora utilizam o corpo do presidente para fazer campanha política. Estavam ganhando tempo. Estavam fazendo camisetas, cartazes, etc. Ficaram semanas em campanha."

"Durante algum tempo, estive fazendo reflexões, consultando pessoas da nossa aliança, ouvindo todos. Muitos me disseram 'Capriles, estão te lançando ao matadouro'", continuou. "Mas o que vamos dizer aos que lutam por uma Venezuela melhor? Que não vou lutar? O que direi aos venezuelanos que lutam por um país menos violento, mais justo? Que o condenarei a mais alguns anos a esse governo, que choverá e ele acabará caindo sozinho? Não. Como não vou lutar? Nós vamos lutar."

Durante o pronunciamento, no qual Capriles acusou Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, de manipular as decisões do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o candidato da oposição também criticou as declarações do ministro da Defesa, Diego Molero, que durante a semana conclamou os militares à "defesa da revolução bolivariana".

Ele também deixou evidente as divisões que ameaçaram a unidade da MUD nos últimos meses. "Aos meus companheiros de luta, peço de todo coração, se eu errei em algo, peço desculpas. Publicamente. E quero convocar a todos para essa nova batalha."

Capriles ainda se dirigiu aos eleitores de Chávez. "Durante muito tempo nestes 14 anos (de governo chavista), muitos erros foram atribuídos ao entorno de Chávez. Pois, agora, eu lhes digo: o entorno quer chegar o poder, e com todas as suas más intenções."

Reação imediata. Maduro respondeu imediatamente ao pronunciamento de Capriles, por meio da rede de TV estatal. "Por que o candidato perdedor de 7 de outubro sai como louco? Eu respondo: estão provocando os sentimentos de nosso povo para causar violência. São os mesmos que querem lançar o país ao caos, para causar uma intervenção estrangeira", afirmou.

"Se não puderam com o comandante Chávez, não poderão com seu povo", prosseguiu Maduro. "Contra o ódio, nosso povo responderá com paz. O que disse o candidato perdedor é a mais pura infâmia. Neste momento de dor. Ofendeu o ministro da Defesa Diego Molero. Ofendeu as Forças Armadas. Soldados da pátria, todos de joelho na terra, em defesa do ministro Molero!"

"Oligarcas, de sobrenomes conhecidos, miseráveis, nunca poderão com nosso povo", afirmou. "Quero transmitir, a pedido da família do presidente Chávez, que ela se reserva o direito de tomar todas as medidas judiciais necessárias para preservar sua memória, principalmente em relação às infâmias sobre a data de sua morte. Esse senhorzinho acaba de chegar de Nova York e nunca respondeu como comprou um apartamento de US$ 5 milhões na cidade. Hoje caiu sua máscara, e se vê a face nauseabunda do fascista que é."

"Compatriotas, não caiamos em provocações para causar o ódio, à violência. Respondamos com paz, com ordem", declarou Maduro.

Hoje, os dois candidatos registram suas candidaturas no CNE. Maduro deve ser acompanhado de uma multidão de chavistas. Capriles disse que irá ao CNE, mas evitará concentrações para não desrespeitar o luto pelo presidente.

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