Capriles afaga militares, de olho no dia seguinte à eleição

Análise: Roberto Lameirinhas

O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2012 | 03h01

A declaração do candidato opositor venezuelano, Henrique Capriles, de que já escolheu o nome de um militar da ativa para assumir o Ministério da Defesa, caso vença a eleição de domingo, é parte da mais silenciosa e delicada batalha da atual campanha, afirma ao Estado, sob condição de anonimato, um diplomata europeu que serve em Caracas.

"Justamente no momento em que o presidente Hugo Chávez muda o tom de sua retórica e converte a eleição numa nova guerra de independência do país, surge entre todos os envolvidos no processo eleitoral a dúvida razoável sobre sua disposição de entregar o poder aos 'traidores da pátria' no caso de uma vitória da oposição", diz o diplomata. "Como forma de tranquilizar os quartéis e a população, Capriles busca enviar a mensagem de que alguns oficiais das Forças Armadas estão com ele e uma eventual transição de poder ocorreria em paz."

Sem revelar a identidade do escolhido para a Defesa, Capriles lançou na segunda-feira outros acenos ao Exército. Prometeu rever soldos e pôr fim à compra de armas da Rússia para dar prioridade a um novo sistema de aposentadorias e pensões para militares e suas famílias.

Chávez, por seu lado, nunca descuidou de seus quartéis. Em 14 anos de poder, decretou aumento de soldos, promoveu para os postos-chave oficiais que considera de plena confiança e transferiu para a reserva os que, a seu ver, não eram tão confiáveis. Denúncias da oposição de que há generais das Forças Armadas Bolivarianas envolvidos com operações de narcotráfico nunca progrediram, uma vez que nunca foram investigadas.

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