Tomas Bravo/Reuters
Tomas Bravo/Reuters

Capriles cancela encontro com Maduro após mortes

Governador de Miranda disse que não participaria de reunião em razão da 'situação de repressão e violação de direitos humanos'

Luiz Raatz, Enviado Especial / Caracas,

24 de fevereiro de 2014 | 22h14

CARACAS - Após mais duas mortes de manifestantes na madrugada desta segunda-feira, 24, nos Estados de Táchira e Arágua, o líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, desistiu de participar de uma reunião de governadores com o presidente Nicolás Maduro. Em entrevista coletiva, o governador de Miranda voltou a propor que a Igreja Católica faça a mediação entre chavistas e antichavistas e estipulou uma série de condições para dialogar com o governo.

No Palácio de Miraflores, Maduro sugeriu a criação de uma "comissão da verdade" na Assembleia Nacional para investigar o que chamou de "onda de violência fascista". O presidente também prometeu convocar diversos setores da sociedade para uma reunião de conciliação quarta-feira na sede do Executivo venezuelano.

"Não há condições para ir a uma reunião do Conselho Federal de governo. Como eu poderia ir com essa situação de repressão e violação de direitos humanos", disse Capriles. "Querem (no governo) que eu vá lá e aperte as mãos dele (Maduro) como se tudo estivesse dentro da normalidade."

Com as duas novas mortes, subiu para 13 o número de vítimas nos protestos contra o governo chavistas. Desses, ao menos 9 morreram vítimas da repressão policial e de motociclistas armados que, acredita-se, estejam vinculados ao governo. Foi o caso de Johnny Carballo, que estava com um grupo de manifestantes em Cagua, no Estado de Aragua.

Durante uma manifestação na manhã de segunda-feira, Carballo foi atacado por um grupo de motoqueiros armados. Baleado, não resistiu e morreu. Em Táchira, berço dos protestos, onde o governo mandou tanques para dispersar as manifestações, um manifestante identificado como Jimmy Vargas morreu ao cair de um prédio alvo de bombas de gás lançadas pela Guarda Nacional Bolivariana.

Maduro sugeriu à Assembleia Nacional a criação de uma comissão da verdade. "Queremos uma comissão da verdade para investigar os crimes fascistas. Que seja transparente, para dizer toda a verdade", discursou. "Convido a oposição para se reunir a essa comissão."

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão de partidos opositores, diz que aceita a constituição da comissão desde que ela seja "paritária" entre parlamentares chavistas e antichavistas. "Os jovens protestam por um país mais justo e têm como resposta uma repressão desmedida", disse o porta-voz da MUD, deputado Stalin González. "Pelo menos já aceitam que há o que se investigar. Mas exigimos que o comandante da Guarda Nacional Bolivariana e o ministério da Defesa prestem contas por excessos."

Também nesta segunda-feira, o governador de Táchira José Vielma Mora, que é chavista e tirou a oposição do comando do Estado nas eleições de 2012, declarou que não está de acordo com a repressão a manifestantes na região, e reconheceu que houve excessos na atuação das forças policiais para dispersar protestos. "Me irritei muito com o sobrevoo de aviões militares em Táchira. Foi um abuso inaceitável", disse o governador, que tentou se desvincular do governo chavista: "Não sou membro do regime, fui eleito pelos cidadãos de Táchira."

O governador disse ainda que é a favor da libertação do líder opositor Leopoldo López, detido pelo chavismo acusado de incitar os protestos. As manifestações antichavistas na Venezuela começaram nesse Estado, tradicional reduto da oposição, no começo de fevereiro, depois de uma universitária ter sido alvo de tentativa de roubo e estupro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.