Capriles critica auditoria e diz que esgotará recursos

Após conselho eleitoral se recusar a contar votos da maneira como candidato quer, oposição promete recorrer à Unasul e ao Mercosul

CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2013 | 02h07

O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, criticou ontem a auditoria de votos da eleição presidencial proposta pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e prometeu intensificar os protestos contra o resultado da votação. Capriles foi derrotado há duas semanas pelo chavista Nicolás Maduro por uma diferença de 1,8 ponto porcentual e acusa o governo de fraude.

Na noite de sábado, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, afirmou que a auditoria começaria hoje, mas não nos termos pedidos por Capriles. Segundo ela, a requisição de Capriles é "impossível" de ser atendida.

"Depois de uma análise no CNE, pudemos constatar que é impossível aprovar o pedido nos termos exigidos por ele, uma vez que não constam no ordenamento jurídico da Venezuela", disse Tibisay.

Na Venezuela, a votação é eletrônica. Capriles queria que o CNE contasse todos os comprovantes emitidos pelas máquinas de votação e os comparasse com as listas de eleitores. O conselho fará uma auditoria por amostragem aleatória recolhida de 46% das urnas. O restante delas foi auditado no dia da eleição.

"Novamente, em cadeia nacional, parecem pensar que nós, venezuelanos, somos bobos. Sem as listas, a auditoria é mal feita", disse Capriles. "Levaremos esse caso ao mundo. Mais cedo ou mais tarde, teremos novas eleições."

O líder da oposição ainda acusou Tibisay de "cumprir as ordens do chavismo" e prometeu esgotar todas as instâncias para obter a recontagem que julga correta dos votos.

Na manhã de ontem, um grupo de deputados da oposição criticou a decisão do CNE e prometeu recorrer a instâncias internacionais contra o resultado da eleição. "Iremos a todas as organizações, como o Mercosul e a Unasul, para que o mundo saiba que na Venezuela foi Henrique Capriles quem ganhou as eleições", disse o deputado Ismael García.

O parlamentar também assegurou que, apesar da decisão do presidente da Assembleia Nacional, o chavista Diosdado Cabello, de não reconhecer os deputados da oposição, continuará apoiando Capriles. "Podem nos tirar a imunidade, podem nos perseguir, mas o país tem de saber a verdade", acrescentou. "Temos de respeitar a vontade do povo, que elegeu Capriles presidente."

Na sexta-feira, Capriles tinha ameaçado impugnar a disputa nos tribunais - mas a maioria dos juízes foi indicada pelo presidente Hugo Chávez, morto no mês passado. "O passo seguinte é a impugnação nos próximos dias. Com todas as provas, com todos os elementos que já temos, vamos impugnar as eleições", disse o opositor.

Cuba. Capriles admitiu que sua ação na Justiça, que em tese poderia resultar numa nova votação completa ou parcial, terá um caminho difícil nos tribunais da Venezuela. "Nós não estamos contestando a eleição com a expectativa de que o Supremo Tribunal nos dê uma resposta favorável ou que o sistema de Justiça vá funcionar", disse Capriles. "Mas passaremos por todos trâmites legais."

Ontem, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, cumpriu agenda em Havana, onde assinou acordos de cooperação ao lado do líder cubano, Raúl Castro, e encontrou seu irmão Fidel. O objetivo da viagem, segundo a chancelaria venezuelana, é reforçar a aliança estratégica entre os dois países.

Desde a primeira vez que assumiu o cargo, em 1999, Chávez tornou a Venezuela o principal aliado político de Cuba, colaborando economicamente com a ilha. Maduro optou por seguir a mesma política. / REUTERS

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