Boris Vergara/Efe
Boris Vergara/Efe

Capriles diz que governo do presidente Maduro vai 'desmoronar'

Líder da oposição afirma que herdeiro de Chávez cai diante dos problemas econômicos na Venezuela

Reuters,

03 Junho 2013 | 17h11

SAN FRANCISCO DE YARE - O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, disse que o governo do presidente Nicolás Maduro irá "desmoronar" sob a pressão dos problemas econômicos crescentes, da luta interna e da crença de muitos venezuelanos de que roubou a eleição de abril.

Capriles ainda está contestando o resultado eleitoral, que apontou a vitória de Maduro por menos de dois pontos percentuais de diferença. Mas se, como previsto, as alegações de fraude não chegarem a lugar algum nos tribunais da Venezuela, Capriles diz que outras forças podem afundar o sucessor do líder socialista Hugo Chávez, morto em março deste.

"O que isso significa? Bem, todos os mecanismos estão na Constituição: referendo, nova eleição, renúncia. Mas não me pergunte por saídas que não estejam na Constituição. Nossa luta é pacífica", acrescentou. Protestos de rua pós-eleição, com a morte de algumas pessoas devido ao caos, acabaram representando um revés para Capriles, permitindo que o governo o atacasse como um desestabilizador e assassino.

Uma possibilidade para os opositores é um referendo revogatório, permitido na Constituição depois de três anos de Presidência. A estratégia foi usada sem sucesso contra Chávez, que ficou 14 anos no governo da nação sul-americana integrante da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).

Alguns opositores, no entanto, dizem que os problemas econômicos da Venezuela - crescimento lento, inflação incontrolável, escassez de produtos e gargalos de divisas - podem ser demais para Maduro, mesmo antes de Capriles pressionar por um referendo revogatório.

"Acho que este governo, nas condições atuais de ilegitimidade somadas a uma crise econômica profunda com a qual não mostra intenção de lidar, vai desmoronar", disse à Reuters o governador do Estado de Miranda.

Capriles diz que uma suposta rivalidade entre Maduro e o poderoso líder do Congresso, Diosdado Cabello, também o número 2 no Partido Socialista, da situação, é outro fator para se observar. "Eles têm uma guerra interna e aquela pessoa (Cabello) quer ser presidente, mas sabe que isso é impossível via voto popular. A única maneira, e isso explica o seu jogo, é que as coisas se rompam e ele chegue lá por meios não democráticos."

Algumas pesquisas de opinião mostram Capriles alguns pontos à frente de Maduro se ocorresse uma nova eleição presidencial - uma perspectiva improvável, no entanto, dado os vários pronunciamentos do comitê eleitoral de que os resultados se sustentam, inclusive depois de uma auditoria.

"Esse é o único governo que assumiu e não subiu nas pesquisas", disse Capriles. "Não houve lua-de-mel. Olhe para todos os países nas Américas e no mundo, um governo sobe entre 10 e 15 pontos depois de assumir. Olhe para as pesquisas de opinião agora, Maduro tem uma média de 40%."

 

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