AP Photo/Ariana Cubillos
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Capriles diz que Maduro prefere um golpe de Estado a um referendo revogatório

Em entrevista ao jornal El País, líder opositor afirmou que processo contra o mandato do presidente venezuelano ‘o vitimizaria e lhe daria uma nova oportunidade’

O Estado de S. Paulo

21 Maio 2016 | 15h56

CARACAS - O líder opositor venezuelano Henrique Capriles afirmou, em entrevista divulgada neste sábado, 21, que o presidente Nicolás Maduro prefere um golpe de Estado a um referendo revogatório promovido pela oposição, porque isso "o vitimizaria e lhe daria uma nova oportunidade".

"A solução para a Venezuela não é um levante militar. Isto seria pior do que o que temos hoje", disse ao jornal espanhol El País. Capriles, ex-candidato à presidência, alertou recentemente para a possibilidade de um golpe em seu país.

Na Venezuela "existem Forças Armadas divididas", afirmou. "Uma, a da tropa, os soldados, que sofrem as consequências da crise. Depois há uma cúpula corrupta, privilegiada, que parece viver em outro país, que está comprometida com a corrupção no governo", destacou.

Para Capriles, isto representa "uma situação, em suma, perigosa". No contexto de crise socioeconômica extrema, "se há uma explosão social, quem a contém? As Forças Armadas. E o que as Forças Armadas irão fazer? Matar as pessoas ou tomar o poder e dizer a Maduro que se retire, porque não irão matar o povo?", questionou o líder opositor.

"As condições estão aí, por isso minha insistência no referendo revogatório. É a solução para a crise política que o país vive", afirmou. A oposição apresentou 1,8 milhão de assinaturas favoráveis ao referendo.

Para Capriles, "Maduro prefere um golpe a um referendo, porque um golpe o vitimizaria, lhe daria outra oportunidade, enquanto o referendo representaria um adeus para sempre".

A oposição venezuelana pressiona há semanas para que a consulta seja convocada ainda este ano, o que permitiria a realização de novas eleições presidenciais caso Maduro fosse derrotado.

Se o referendo acontecer depois de 10 de janeiro de 2017, quando se completam quatro anos do mandato, e Maduro perder, o vice-presidente ficaria responsável pelos dois anos restantes de mandato. /AFP

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