REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Capriles diz que Controladoria-Geral o inabilitou eleitoralmente por 15 anos

Político venezuelano publicou mensagem em sua conta no Twitter denunciando punição da Controladoria-Geral; ele é o principal nome da oposição para disputar a presidência em 2018

O Estado de S.Paulo

07 Abril 2017 | 14h20
Atualizado 07 Abril 2017 | 15h08

CARACAS - O líder opositor venezuelano Henrique Capriles afirmou nesta sexta-feira, 7, que foi inabilitado pela Controladoria-Geral do país a participar de disputas eleitorais por 15 anos.

O motivo da punição seria um processo administrativo contra ele por supostas irregularidades na gestão do Estado de Miranda, do qual é governador. "Urgente: informo ao país e à opinião pública internacional que estou sendo notificado neste momento de uma inabilitação (eleitoral) por 15 anos", escreveu Caprilles em sua conta no Twitter. Ele ainda não deu mais detalhes da punição.

Se for confirmada, a decisão da Controladoria-Geral - acusada pelos opositores de ser controlada pelo chavismo - deixará a oposição sem seu principal nome para as próximas eleições presidenciais, previstas para o fim de 2018. O órgão ainda não se pronunciou sobre a acusação.

Além disso, a possibilidade de o opositor ser barrado dos próximas disputas eleitorais pode aumentar a tensão na Venezuela, onde mais de 100 políticos estão atualmente presos, segundo grupos de direitos humanos.

Capriles comandou as últimas manifestações da oposição na Venezuela contra o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e contra o governo de Nicolás Maduro, que deixaram ao menos uma pessoa morta e dezenas de feridos. Ele também foi o principal nome da campanha em 2016 para tentar realizar a votação do referendo revogatório do mandato do líder bolivariano, suspensa por decisão das autoridades judiciais e eleitorais.

Em 2008, o líder opositor e então prefeito de um distrito de Caracas, Leopoldo López, foi barrado de disputas eleitorais de forma similar a denunciada nesta sexta-feira por Capriles. López era o favorito da oposição para disputar a eleição presidencial de 2012 contra Hugo Chávez, mas em razão da punição acabou substituído pelo próprio Capriles - derrota naquela votação e, depois, em 2013 quando disputou o cargo contra Nicolás Maduro.

O governo venezuelano acusa a elite do país, supostamente apoiada pelos Estados Unidos, de tentar desestabilizar a economia do país e fomentar um golpe de Estado para impor um governo de direita.

"Senhor Capriles, você está tentando colocar fogo no país", acusou na quinta-feira, durante uma manifestação chavista, o político Freddy Bernal, do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

"Você está procurando por mortes. Depois não venha como um 'marica' dizer que é um prisioneiro. Não venha chorar dizendo que está sendo perseguido", ameaçou Bernal. 

O processo. A Controladoria-Geral da Venezuela tem entre suas atribuições o controle e a revisão da gestão de todos os organismos estatais e dos funcionários públicos. 

No início do ano, o órgão anunciou a abertura de um processo de responsabilidade administrativa contra Capriles e outros oito funcionários do governo de Miranda por supostas operações indevidas. Como parte do processo, a Controladoria multou os opositores em 43 mil bolívares cada (cerca de US$ 4,3 mil na taxa de câmbio mais baixa ou US$ 9,75 no câmbio paralelo).

Os funcionários do governo de Miranda foram processados por seis casos que incluem uma alteração do orçamento de 2011, doações recebidas da Polônia e da Grã-Bretanha, um contrato para um comercial assinado com uma emissora local e um contrato de serviços funerários para os empregados do governo.

Capriles descartou que os processos impliquem em "dano patrimonial" ao Estado venezuelano, como acusam as autoridades, e insistiu que as ações da Controladoria-Geral tinham como objetivo sua inabilitação política. / AP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.