Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Capriles pede à Justiça impugnação da vitória de Maduro

Expectativa é que Tribunal Supremo de Justoça rejeite pedido da oposição venezuelana

O Estado de S. Paulo,

02 de maio de 2013 | 18h09

CARACAS - A oposição venezuelana solicitou nesta quinta-feira, 2, formalmente ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) a impugnação do resultado da eleição presidencial do dia 14, que consagrou o chavista Nicolás Maduro. A iniciativa, liderada pelo candidato derrotado e governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, ocorre após semanas de duros embates - e até mesmo pancadaria na Assembleia Nacional - entre opositores e herdeiros de Hugo Chávez.

Capriles apresentou a demanda à cúpula do Judiciário depois de recusar a validade de uma auditoria que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) fez sobre a votação do mês passado. A oposição venezuelana exigia que a acareação incluísse os chamados "cadernos de votação" - os registros físicos dos resultados, não apenas os dados das urnas eletrônicas -, algo que o tribunal eleitoral se recusou a fazer.

A expectativa é que o TSJ, amplamente favorável ao bloco chavista, rejeite a demanda de Capriles. O líder da oposição na Venezuela, porém, poderá recorrer a cortes internacionais em busca de uma "vitória moral" sobre o chavismo.

Apontado pelo próprio Chávez como seu herdeiro político, Maduro derrotou Capriles por uma margem estreita, de menos de 1,5 ponto, apesar da enorme comoção que tomou a Venezuela após a morte do presidente por câncer, no início de março. Os opositores não reconhecem o resultado das urnas, denunciando violações ao longo da campanha e no momento da votação.

"Os incidentes que ocorreram não apenas no dia da eleição, mas também nos dias anteriores, mostram para nós que os resultados anunciados pelo CNE não são os verdadeiros. Nós ganhamos as eleições", disse em entrevista à rede privada Televén Ramón José Medina, opositor e responsável técnico pela apresentação da demanda ao TSJ.

Segundo Gerardo Fernández, advogado da campanha de Capriles, o processo entregue ao Judiciário soma mais de 180 páginas. Os opositores reclamam de problemas no sistema eleitoral, mas também de um clima de intimidação que teria sido imposto aos eleitores de Capriles. "Senhores, a democracia não é apenas votar. Aquele que vota deve fazer isso com total liberdade", afirmou Fernández ao jornal El Universal.

 

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