Miguel Rajmil/Efe
Miguel Rajmil/Efe

Capriles vai contestar resultado de eleição venezuelana no Judiciário

CARACAS - O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, prometeu na quinta-feira contestar na Justiça a vitória apertada do presidente Nicolás Maduro na eleição presidencial deste mês e disse que a auditoria dos votos preparada pelas autoridades eleitorais pode ser "uma piada".

O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2013 | 09h13

Maduro, o sucessor escolhido a dedo pelo líder socialista Hugo Chávez antes de sua morte, venceu a eleição de 14 de abril com menos de dois pontos percentuais de vantagem. A oposição diz que houve milhares de irregularidades na eleição, e que seus próprios números mostram uma vitória de Capriles.

Ambos os lados concordaram com a realização de uma auditoria expandida dos votos a ser realizada pelo Conselho Nacional Eleitoral. Desde então, Maduro foi empossado como presidente e a oposição tem ficado cada mais frustrada com o que vê como lentidão das autoridades eleitorais. Protestos pós-eleitorais resultaram na morte de ao menos nove pessoas.

Capriles insistiu que o processo de auditoria precisa ser rigorosos e incluir toda a documentação relevante dos locais de votação. "Se não houver revisão dos cadernos (eleitorais), nós não vamos participar dessa auditoria. Seria uma piada na Venezuela e uma piada no mundo", disse Capriles em entrevista transmitida pelo canal de TV Globovisión.

"O passo seguinte é a impugnação nos próximos dias. Com todas as provas, com todos os elementos que já temos, vamos impugnar as eleições", acrescentou o político, de 40 anos. 

O conselho eleitoral não respondeu a uma demanda de Capriles por detalhes concretos da auditoria até quinta-feira. O órgão afirmou, no entanto, que o processo só vai verificar que o sistema funcionou adequadamente e que os resultados das eleições são "irreversíveis".

Capriles admitiu que sua ação na Justiça, que em tese poderia resultar numa nova votação completa ou parcial, terá um caminho difícil através dos tribunais da Venezuela. Críticos dizem que Chávez lotou o Judiciário com aliados durante seus 14 anos no poder.

"Nós não estamos contestando a eleição com a expectativa de que o Supremo Tribunal nos dê uma resposta favorável, ou que o sistema de Justiça vai funcionar", disse Capriles. "Mas nós vamos passar por todos os tramites legais."

Autoridades do governo afirmam que Capriles e a oposição tentam aplicar um golpe de Estado e são responsáveis por toda a violência relacionada ao resultado eleitoral. Críticos de Maduro dizem que o governo lançou uma onda de repressão aos dissidentes após os apertados resultados eleitorais.

A violência entre os dois lados pode se intensificar na próxima semana, já que há várias marchas planejadas para celebrar o Dia do Trabalho, em 1º de maio. / REUTERS e DOW JONES

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