Fernando Llano/AP
Fernando Llano/AP

Capriles vence em Miranda; Chávez amplia poder

Candidato da oposição se firma caso haja nova presidencial; chavismo ganha pelo menos 20 dos 23 Estados

RODRIGO CAVALHEIRO, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h01

(Texto atualizado às 12h) CARACAS - Na eleição estadual mais importante entre as 23 disputadas domingo 16 na Venezuela, a oposição - ou melhor, um opositor - foi o grande vencedor. Henrique Capriles, derrotado por Hugo Chávez há dois meses, conseguiu a reeleição em Miranda e ganhou impulso como "o" nome do antichavismo em uma possível disputa presidencial - prevista caso o bolivariano não tome posse, dia 10 de janeiro. Os chavistas celebraram triunfos em ao menos 20 dos 23 Estados.

O maior derrotado da noite foi Elías Jaua, vice-presidente a quem Chávez incumbiu de derrotar o principal nome da oposição, que conseguiu 6,5 milhões de votos contra o presidente em outubro. Uma nova derrota do opositor, segundo analistas, abriria um processo de disputa interna dentro do meio antichavista. .

"Sem dúvida, Capriles se fortalece como o grande nome da oposição", disse ao Estado a historiadora e cientista política Margarita López Maya, da Universidade Central da Venezuela. Dados preliminares apontavam participação de 55% - na presidencial de outubro, 80% dos eleitores compareceram. As férias e a proximidade do Natal são hipóteses para a alta abstenção.

Para conseguir a vitória estratégica em Miranda, os chavistas contavam com a mobilização no Petare, um conjunto de favelas com 1 milhão de habitantes onde Jaua votou ao meio-dia, em uma escola pública. Ao sair, Jaua foi interpelado pelo pedreiro aposentado Reinaldo Tovar Benítez, de 69 anos, que fez algumas reclamações.

"Disse a ele que preciso de uma casa, não posso ficar sem ter uma depois de fazer tantas", afirmou Tovar, que enxergava mal e caminhava com auxílio de uma muleta. "Fui baleado no pé direito há oito dias, o ladrão levou 50 bolos (gíria para bolívares fortes, o equivalente a R$ 6)", completou. A insegurança urbana é o principal ponto vulnerável do governo de Hugo Chávez, e por consequência a maior bandeira da oposição.

Capriles votou em uma escola em um bairro nobre de Caracas. No início da madrugada desta segunda-feira, 17,, seus militantes foram para a Avenida Rio de Janeiro, onde começaram as celebrações.

Após o triunfo em outubro, o chavismo começou a articular-se politicamente para tirar da oposição os sete Estados por ela governados: além de Miranda, Zulia, Táchira, Carabobo, Nueva Esparta, Amazonas e Lara. 

A expectativa, nas palavras de Chávez, era repetir a "vitória perfeita" da eleição presidencial. O chavismo teve êxito em todos, exceto em Miranda, Lara e Amazonas. Com isso, o chavismo passa a dominar alguns dos Estados mais populosos e ricos em petróleo.

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