Captura de Gbagbo é um ''aviso'' a ditadores do mundo, diz Hillary

EUA e Europa celebram triunfo de Ouattara; Paris lança campanha para ''mostrar'' que não teve [br]papel direto na prisão

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2011 | 00h00

PARIS

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, definiu a deposição do governo de Laurent Gbagbo na Costa do Marfim como "um sinal" para outros autocratas. "Essa transição envia um sinal forte a ditadores e tiranos da região e do mundo: eles não devem desconsiderar a voz do seu próprio povo em eleições livres e justas e haverá consequências para os que se agarrarem ao poder", afirmou Hillary.

EUA, França e Grã-Bretanha lideram a coalizão que defende o movimento rebelde em outro país africano - a Líbia - contra o ditador Muamar Kadafi.

Além de alertar os ditadores, ela elogiou o papel da França na Costa do Marfim. O tema, entretanto, é sensível. Até a noite de ontem, a ONU, o Palácio do Eliseu e o Ministério das Relações Exteriores da França distribuíam comunicados sucessivos tentando esclarecer as posições das forças internacionais no conflito marfinense.

Segundo os informes, as tropas francesas e da missão de paz da ONU não teriam sido responsáveis pela prisão de Gbagbo, mas sim milicianos a serviço de seu rival Alassane Ouattara. A preocupação é evitar que o novo governo seja confundido com uma intervenção da França, que colonizou a Costa do Marfim.

Hillary saudou "o governo, o povo da França e os outros membros da comunidade internacional que trabalharam com diligência para garantir a segurança e a proteção do povo marfinense ao longo da crise".

Desde o dia 4, as forças internacionais intensificaram a intervenção militar com o objetivo de neutralizar as tropas pró-Gbagbo, usado como justificativa a resolução da ONU que autoriza a missão de paz a empregar a força para proteger populações civis.

Na prática, porém, a ação externa foi a grande responsável pela queda de Gbagbo e pela chegada ao poder de Ouattara. "A França fez a diferença. Ela foi o braço armado da ONU", disse Dominique Moisi, do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), de Paris.

PARA LEMBRAR

Crise começou após eleições

A crise política na Costa do Marfim teve início logo após a eleição de novembro, quando o então presidente, Laurent Gbagbo, disputou o segundo turno contra o opositor Alassane Ouattara. Segundo a apuração e observadores internacionais, Gbagbo perdeu e se recusou a deixar o poder. O agora ex-presidente, que tinha mais força no sul do país, foi cercado por forças leais a Ouattara. As tropas do opositor avançaram sobre as principais cidades marfinenses e tomaram Abidjã, maior cidade e centro econômico do país.

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