Caracas acusa EUA de barrar avião de Maduro e Evo propõe boicote a cúpula

Enfrentamento. Segundo o chanceler Elias Jaua, aeronave que levará líder venezuelano à China no fim de semana teve negada autorização para sobrevoar Porto Rico; presidente boliviano convoca bolivarianos a não ir a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York

CARACAS, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2013 | 02h04

O chanceler da Venezuela, Elías Jaua, disse ontem que o governo dos EUA negou autorização para que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sobrevoasse Porto Rico, território americano, durante uma viagem à China, no fim de semana. Em solidariedade, o presidente boliviano, Evo Morales, propôs um boicote de aliados à Assembleia- Geral da ONU, marcada para a próxima semana em Nova York. O governo americano não comentou o caso.

Jaua considerou o ato uma "agressão" ao país e anunciou que Caracas buscará uma nova rota para que a viagem de Maduro não seja afetada. O chanceler venezuelano pediu que Washington "reconsidere". "Recebemos a informação de autoridades americanas de que foi negado a nós o sobrevoo no espaço aéreo americano no Atlântico", disse Jaua, detalhando que a proibição se refere a Porto Rico, Estado associado aos EUA desde 1952. "Denunciamos isso como uma agressão a mais do imperialismo americano contra o governo."

Os EUA não reconheceram oficialmente a vitória de Maduro sobre o líder opositor Henrique Capriles na eleição de 15 de abril, quando o chavista ganhou por 1,4 ponto porcentual. "Ninguém pode negar o sobrevoo a um avião que transporta um presidente em uma viagem de Estado. Não existe argumento válido para proibir o sobrevoo", insistiu Jaua.

Reação de Evo. Ao recomendar aos integrantes da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) que boicotem a Assembleia-Geral da ONU, o líder boliviano atacou os EUA. "Os presidentes anticapitalistas e anti-imperialistas não se sentem seguros em território americano", afirmou Evo em entrevista coletiva convocada após conhecer o protesto venezuelano. "Ou vamos todos ou não irá ninguém", completou.

Cuba, Equador e Nicarágua, bem como quatro pequenos países - Dominica, Santa Lúcia, San Vicente e Granadinas e Antígua e Barbuda - participam da Alba, além de Venezuela e Bolívia. A população de todos é de cerca de 70 milhões.

Evo afirmou que também defenderá na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) "a saída imediata dos embaixadores dos EUA". Evo, que teve sua passagem pelo espaço aéreo de alguns países negada em julho (mais informações nesta página), pediu uma reunião de emergência para abordar o caso.

Venezuela e EUA mantêm relações conflituosas desde o governo de Hugo Chávez (1999-2013), que morreu em 5 de março, e não têm embaixadores nas respectivas capitais desde 2010. Maduro deve visitar Pequim entre amanhã e terça-feira. Ele se reunirá com o presidente chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro Li Keqiang. O objetivo é tratar de petróleo, finanças, indústria, alimentos e tecnologia.

Jaua garantiu que o presidente manterá a viagem. A Venezuela já teria conseguido permissões para sobrevoar a Ásia e a Europa. "Chegaremos, não importa a rota. Não há império que impeça a vontade do governo bolivariano e chavista de continuar fortalecendo um mundo multipolar", disse o chanceler. / AFP e EFE

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