Caracas admite elevação de 6% nos homicídios

Para evitar uma polarização que beneficiaria Chávez, principais pré-candidatos presidenciais da oposição não enfatizam aumento da violência em debate

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h04

Entre o início de janeiro e 30 novembro, o número de homicídios ocorridos na Venezuela foi de 15.360, afirmou no sábado o governo venezuelano. Segundo dados oficiais, houve uma elevação de 6% em relação ao total de assassinatos divulgado por Caracas em 2010 - que chegou a 14.500. Mas se a média mensal de homicídios permanecer a mesma até o fim de 2011, o aumento deverá chegar a 15,56%.

Analistas afirmam que a escalada da violência durante o governo de Hugo Chávez é um dos fatores que mais comprometem a aprovação ao presidente entre os venezuelanos mais pobres - sua principal base eleitoral. De acordo com o cientista político Alfredo Ramos Jiménez, porém, as camadas mais populares "já consideram normal" esse aumento, que agora retiraria de Chávez o apoio entre a classe média. Admitir uma elevação maior no número dos homicídios do que no período 2009-2010 (alta de 3,68%) seria, segundo o analista, uma maneira de o governo "incutir o medo e justificar uma saída não eleitoral" para a manutenção de chavismo.

Debate. A violência foi discutida na noite do domingo durante o debate entre os cinco candidatos das eleições primárias da Mesa da Unidade Democrática (MUD). O movimento concentra a oposição e pretende nomear um candidato único, em 12 de fevereiro, para enfrentar Chávez na votação presidencial marcada para outubro.

Ramos disse que, apesar de citar militares supostamente relacionados com o narcotráfico "por nome e sobrenome", a oposição tem evitado abordar o tema com tanta ênfase, "para evitar a polarização, que tem ajudado Chávez a se reeleger". "O segundo debate deixou isso claro. Os candidatos mais bem colocados - principalmente Henrique Capriles e Leopoldo López - não querem alimentar esse antagonismo."

Até mesmo Pablo Pérez, que tem na luta contra a violência e a corrupção venezuelanas sua principal bandeira, não mencionou Chávez em sua crítica durante o debate. Ele está à frente de López na média feita entre vários institutos de pesquisa e disputa o primeiro lugar com Capriles.

Seguindo a tendência dos três primeiros colocados, a candidata María Corina Machado evitou críticas mais diretas ao chavismo, optando pelas "proposições positivas". "A mensagem principal é que há uma unidade na oposição", disse Ramos.

Os candidatos com menos chances, Pablo Medina e Diego Arria, foram contundentes em suas acusações contra o governo, segundo o analista, para "obter os votos dos chavistas desapontados com o governo".

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