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Caracas adotou uso excessivo de força, diz Anistia Internacional

Em relatório anual, ONG denuncia que dezenas foram presos arbitrariamente durante os protestos de 2014

LONDRES , O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2015 | 02h05

As forças de segurança da Venezuela empregaram força excessiva para dispersar os protestos em 2014 e dezenas de pessoas foram presas arbitrariamente, além de terem tido negado acesso a advogados e médicos. A denúncia foi feita pela organização não governamental Anistia Internacional (AI), em seu relatório anual sobre o estado das liberdades no mundo, divulgado ontem.

O documento denunciou ainda que tortura e maus-tratos contra manifestantes e cidadãos foram utilizados pelo Judiciário para silenciar os críticos do governo. Defensores dos direitos humanos, segundo o texto, sofreram intimidação e ataques.

A ONG afirma que o primeiro mandato do presidente Nicolás Maduro foi marcado por um crescente descontentamento. Entre fevereiro e julho de 2014, houve protestos a favor e contra ele em diversas regiões da Venezuela. Os manifestantes e líderes que pediram a renúncia do presidente foram acusados de tentar derrubar o governo.

Ao menos 43 pessoas morreram e mais de 870 ficaram feridas - entre manifestantes, membros das forças de segurança e cidadãos - durante os protestos. A Anistia denunciou violações de direitos humanos e confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, que contaram com apoio d e grupos armados favoráveis ao governo.

Mais de 3 mil pessoas foram presas durante os protestos. A maioria foi acusada e libertada em alguns dias, mas mais de 70 manifestantes ainda estão presos, à espera de julgamento.

A AI criticou medida do Tribunal Supremo de Justiça que declarava ilegal qualquer protesto que não contasse com autorização prévia. A ONG constatou que as forças de segurança empregaram força excessiva para dispersar os manifestantes e alertou para o uso de munição real, a curta distância, contra pessoas desarmadas nos protestos.

De acordo com a AI, ao menos 23 pessoas foram submetidas a torturas, espancamentos, ameaças de morte e violências sexuais sob custódia do governo, depois de serem presas pela Guarda Nacional e pelo Exército no Estado de Táchira. / EFE

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