REUTERS / Jose Miguel Gomez
REUTERS / Jose Miguel Gomez

Caracas amplia estado de exceção na fronteira e acirra crise com Colômbia

Mais quatro municípios de Táchira, que fica na divisa com o território colombiano, estão sob a medida que governo de Maduro defende como necessária para ‘restabelecer a ordem’; Bogotá exige reunião de chanceleres da Unasul para esta semana

O Estado de s. Paulo

02 Setembro 2015 | 02h00

CARACAS - O governo venezuelano ampliou ontem o estado de exceção para mais quatro cidades no Estado de Táchira, acirrando a crise na fronteira com a Colômbia. Com eles, agora são dez os municípios sob a medida, justificada pelo governo como necessária para “restabelecer a ordem”. A Colômbia informou que desistirá de discutir a crise na União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se a entidade não convocar uma reunião de chanceleres para tratar do tema. 

Segundo a edição de ontem da Gaceta Oficial da Venezuela, o estado de exceção será aplicado aos municípios de Lobatera, Panamericano, García de Hevía e Ayacucho. A medida já valia para as cidades de Bolívar, Pedro María Ureña, Junín, Capacho Nuevo, Capacho Viejo e Rafael Urdaneta.

As passagens de fronteira em todas elas foram fechadas pelo governo venezuelano, o que abriu uma crise com a Colômbia desde o dia 19. O argumento de Caracas é o de que combate o contrabando e supostos paramilitares. Ontem, o governo afirmou ter prendido 32 homens que seriam paramilitares. 

A medida foi acompanhada da expulsão de colombianos. A Colômbia afirma que 1.097 pessoas foram deportadas pela Venezuela e outras 7.162 abandonaram voluntariamente o país vizinho por medo de passar pela mesma situação, perder bens ou ser separado da família. 

Na segunda-feira, a pedido da Colômbia, os chanceleres dos 34 países da Organização dos Estados Americanos (OEA) se reuniram em Washington para ouvir os argumentos de Bogotá, que cobrou uma reação dura à crise. No entanto, não concordaram com uma reunião de chanceleres sobre o assunto. A proposta teve voto favorável de 17 países, 5 votaram 

contra e 11, incluindo Brasil, se abstiveram. República Dominicana não estava presente. 

Antes da votação, o embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, anunciou que seu governo não quer abordar a situação no órgão continental e defendeu que a crise seja resolvida de forma bilateral, com uma reunião entre os presidentes dos dois países, algo já oferecido pelo líder venezuelano, Nicolás Maduro. Por outro lado, informou que a Venezuela aceita que o tema seja incluído na pauta da reunião de chanceleres da Unasul.

Um encontro estava previsto para amanhã, mas foi postergado e estava sem data definida, pois a representante da Venezuela, Delcy Rodríguez, viajou para a China com Maduro. Ontem, a chanceler da Colômbia, María Ángela Holguín, disse que seu país não participará de um novo encontro da Unasul se o organismo não convocar os chanceleres esta semana. 

“Sinto-me sozinha, aqui os direitos humanos são desrespeitados e nada acontece. Se não convocarem a reunião de chanceleres, (é porque) pensam que o problema não é tão grave”, declarou a chanceler à Rádio Caracol. Em sua conta no Twitter, o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, disse que proporá criar uma comissão para verificar a crise na fronteira. 

Segundo a Colômbia, Maduro não atendeu os telefonemas do presidente Juan Manuel Santos para discutir a crise. María Ángela explicou que o presidente venezuelano enviou “várias mensagens” pelo Panamá para programar um futuro encontro de alto nível. / EFE 

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