Caracas declara ''guerra aos especuladores''

Depois de uma campanha agressiva de desapropriações, realizada nos últimos meses, o governo venezuelano afirmou ontem que já controla entre 20% e 30% da distribuição de alimentos básicos na Venezuela. Questionado sobre até onde a presidência do país queria chegar, o ministro do Comércio, Richard Canan, foi objetivo. "Até onde for necessário."

, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

Tentando conter a escalada inflacionária, O presidente Hugo Chávez declarou guerra aos especuladores, acusados de reter produtos, forçar a alta dos preços e lucrar com a venda no mercado informal. "A batalha dos alimentos é uma questão de segurança do Estado", disse Canan.

No entanto, enquanto os inspetores do governo estão vasculhando armazéns e galpões, as autoridades chavistas, até agora, não conseguiram explicar a descoberta de mais de 80 mil toneladas de comida apodrecida importadas pela estatal PDVAL, uma empresa ligada à gigante petrolífera PDVSA.

Chávez prometeu investigar o escândalo e está visitando fábricas expropriadas para mostrar que agora todas funcionam melhor do que quando estavam nas mãos do que ele chama de "burguesia parasitária".

Nesse clima de guerra, Chávez intensificou seus ataques à cervejaria Polar, maior empresa alimentícia do país. No domingo, o presidente afirmou que Lorenzo Mendoza, dono da empresa, pretende concorrer à presidência da Venezuela com apoio dos EUA. "Ele quer ser presidente, mas a Polar depende do meu fornecimento de milho", ameaçou Chávez. "Cuidado, Mendoza. Você ficará sem nada."

Retração. Em 2010, segundo estimativas independentes, o PIB do país deve cair 4,7%, fazendo com que a Venezuela continue em recessão. No ano passado, a economia venezuelana já havia registrado retração de 3,3%.

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