Caracas deve manter cautela em impasse sobre Mercosul

Com mudanças nos governos de dois de seus principais aliados - Brasil e Argentina - a Venezuela está diante de uma situação complexa, dizem analistas

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2016 | 05h00

Diante de um novo cenário político na América do Sul, com mudanças nos governos de dois de seus principais aliados - Brasil e Argentina - a Venezuela está diante de uma situação complexa que a obrigará a reduzir a importância das rusgas diplomáticas com Buenos Aires e Brasília, avaliam analistas. 

Os dois maiores países da América do Sul, agora governados por Mauricio Macri e Michel Temer, articulam para que a Venezuela não assuma a presidência temporária do Mercosul no próximo semestre. Apesar da retórica agressiva da diplomacia venezuelana - a chanceler Delcy Rodríguez chamou o ministro de Relações Exteriores José Serra de “chanceler de facto” - , o diretor do Instituto Datanálisis, Luis Vicente León, acredita que a resposta de Caracas será cautelosa. 

“Haverá mais pressão política sobre o chavismo, mas não creio que haja outros impactos além desse”, disse o analista sobre um possível adiamento da posse venezuelana da presidência do Mercosul. “Brasil e Argentina mudaram de governo e agora buscam posições mais alinhadas aos Estados Unidos e à Organização dos Estados Americanos (OEA). Mas é uma relação complexa porque são parceiros comerciais importantes.”

Na terça-feira, Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniram com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, e o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, em Montevidéu, para pedir “mais tempo” antes de o país, que atualmente preside o Mercosul, passar o comando do bloco para a Venezuela. O Paraguai também é contrário à posse dos venezuelanos.

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