Caracas diz que Chávez teve infecção respiratória e família vai a Havana

O governo venezuelano rompeu na noite de ontem dois dias de silêncio sobre a saúde do presidente Hugo Chávez para anunciar que o líder bolivariano teve uma infecção respiratória na segunda-feira, que já estava controlada, e está em condição "estável". Segundo o ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, Chávez deve "guardar repouso absoluto" e passará por "tratamento rigoroso" nos próximos dias.

RODRIGO CAVALHEIRO, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h01

No boletim de um minuto divulgado às 19h30 (22h em Brasília), por instrução do vice-presidente Nicolás Maduro, o ministro ponderou que a infecção "é uma das sequelas que ocorrem com mais frequência depois de cirurgias delicadas". Chávez foi operado no dia 11 pela quarta vez em razão de um câncer na região pélvica diagnosticado há 19 meses. O comunicado terminou dizendo que o presidente "mantém suas funções vitais".

Ontem, o irmão do presidente, Adán Chávez, governador reeleito no domingo, afirmou que embarcaria durante a tarde para Cuba. O anúncio da viagem foi feito ao jornal governista Correo del Orinoco, segundo o qual o pai e a mãe do presidente também viajariam para Havana.

O último boletim sobre a saúde do venezuelano havia sido divulgado no domingo, pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza. Em mensagem lida em rede nacional durante a votação nas eleições regionais (mais informações nesta página), Arreaza afirmou que Chávez melhorava progressivamente, convocava todos a votar, "principalmente os patriotas", e "já governava".

Na avaliação de Marcelino Bisbal, diretor da pós-graduação em comunicação social da Universidade Andrés Bello, a falta de mensagens do presidente na segunda-feira e ontem - após o chavismo ganhar 20 dos 23 governos estaduais no domingo - é significativa.

"É estranho que não tenhamos visto um vídeo, ouvido umas palavras, nem sequer um tuíte do presidente, que é tão audiovisual", diz Bisbal, diretor da pós-graduação em comunicação social da Universidade Andrés Bello. "Todo o protagonismo na eleição ficou com o vice-presidente Nicolás Maduro. Além disso, segunda-feira lembrava-se a morte de Simón Bolívar, uma data histórica. Todas essas evidências levam a crer que sua situação de saúde é grave", afirma Bisbal.

Desde a operação, houve uma sequência diária de comunicados oficiais, lidos ora por Maduro, vice-presidente nomeado por Chávez como seu sucessor, ora por Villegas. A regularidade dos boletins - foram seis entre o dia 11 e domingo -, contrastou com o período de 19 meses em que o governo tratou a doença do presidente como um segredo de Estado.

Na quarta-feira, o governo revelou que Chávez tivera um sangramento inesperado, que precisou ser contido pela equipe médica e afetou os sinais vitais de Chávez - pulso, temperatura e pressão. Na quinta-feira, Maduro disse que o pós-operatório seria complexo e pediu aos chavistas que votassem em massa no domingo. A partir de sexta-feira, as informações foram mais otimistas, ressaltando a recuperação da consciência e repetindo o quadro de evolução "lenta e progressiva" do presidente.

Na segunda-feira, Maduro chegou a dizer, no início da tarde, após um balanço sobre a eleição, que faria contato com Cuba e o governo daria informações até o final do dia. Isso não ocorreu.

Sucessão. Questionado ontem sobre a possibilidade de Chávez não assumir o poder no dia 10, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, disse ontem que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do qual é vice-presidente, "não estava preocupado com o prazo". "Nossa prioridade é a recuperação total do presidente", disse Cabello.

Caso Chávez não apareça na posse, caberá a Cabello convocar uma nova eleição presidencial no prazo de 30 dias. Se Chávez viajar até a Venezuela e assumir o mandato conquistado em outubro, mas não exercê-lo até 2017, será tarefa de Maduro chamar a nova votação - para a qual Chávez o indicou como candidato do governo.

A ex-ministra dos Povos Indígenas, Nicia Maldonado, derrotada na eleição regional no Estado de Amazonas, garantiu ontem, antes do comunicado de Villegas, ter visto uma foto de Chávez em pé após a cirurgia.

Dilma. A presidente Dilma Roussef telefonou ontem para Maduro e perguntou sobre a saúde de Chávez. O vice-presidente disse que ele está se recuperando da cirurgia e Dilma desejou a Chávez "pronto restabelecimento". Ela também parabenizou Maduro pelo resultado das eleições de domingo.

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