Caracas e Bogotá terão reunião de chanceleres

Caracas e Bogotá terão reunião de chanceleres

As ministras dos dois países se encontrarão em Quito amanhã como uma preparação para um diálogo presidencial sobre a crise fronteiriça

O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 18h33

QUITO - A Colômbia e a Venezuela farão uma reunião entre suas chanceleres em Quito, no sábado, para discutir sobre a crise na fronteira entre os dois países. O compromisso será um “passo prévio” para um encontro entre os presidentes colombiano, Juan Manuel Santos, e venezuelano, Nicolás Maduro, que nos últimos dias subiram o tom na troca de ofensas.

 

A informação do encontro entre María Ángela Holguín, da Colômbia, e Delcy Rodríguez, da Venezuela, foi divulgada pelo governo equatoriano nesta quinta-feira, 10. “(Os presidentes) aceitaram iniciar um diálogo entre seus chanceleres com o objetivo de tratar os temas sensíveis entre ambos os países, como um passo prévio a uma reunião presidencial”, afirmou o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, em entrevista coletiva.

O anúncio vem na sequência à guerra verbal na qual entraram os dois líderes, enquanto seguem fechadas duas das três passagens fronteiriças oficiais.

Passadas três semanas desde que Maduro ordenou o fechamento da fronteira entre Cúcuta e San Antonio, a passagem mais ativa dos 2.219 quilômetros que separa os dois países, as diferenças se intensificaram. 

“O fechamento da fronteira com a Venezuela não é culpa da Colômbia. E a cada dia está mais claro que obedece a outros interesses”, declarou Santos na noite de quarta-feira, sobre a explicação de Maduro de que essa medida faz parte de uma campanha para combater o contrabando e supostos paramilitares que operam na região. 

Maduro respondeu que Santos está “fora de si”. “O presidente Santos emitiu as piores ofensas contra a história da Venezuela, contra a revolução constitucional, legítima e popular bolivariana, contra o presidente e o povo da Venezuela, que jamais se tinha emitido da boca de um presidente da República da Colômbia em toda a história, em 200 anos”, disse. 

Maduro afirmou ainda que não abrirá os pontos fechados na fronteira com a Colômbia até que haja um acordo “certo” com o país vizinho “para uma nova fronteira de paz”.

Recentemente, as duas chanceleres também trocaram farpas. Delcy criticou a viagem que María Ângela fez esta semana para denunciar os abusos cometidos contra seus compatriotas na fronteira aos organismos internacionais. 

Para Patiño, é uma “boa notícia” que os dois governos concordaram, agora, em se encontrar. O chanceler afirmou que ele também participará da reunião, assim como o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa. Equador e Uruguai exercem, atualmente, as presidências rotativas da Celac e da Unasul, respectivamente. / EFE


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