Caracas e Moscou voltam a negociar armas

Vice-presidente venezuelano e vice-premiê russo debatem acordo bélico e petrolífero

Reuters e AP, SÃO PETERSBURGO, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Rússia e Venezuela se aproximaram ontem de um acordo para venda de armas e extração de petróleo, ampliando uma parceria que pode envolver os russos na polêmica sobre a presença militar dos EUA em bases militares na Colômbia. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que viajará para a Rússia em setembro, afirmou na semana passada que está preparado para comprar dezenas de tanques russos para responder à intenção da Casa Branca de aumentar a presença militar dos EUA na Colômbia. "O presidente da Venezuela é um dos principais políticos internacionais. Ele tem uma personalidade muito forte e é um grande amigo da Rússia", afirmou ontem o vice-primeiro-ministro russo, Igor Sechin. "Eu sei, por experiência, que se ele (Chávez) disser algo, cumprirá", afirmou Sechin, em coletiva de imprensa após uma reunião com o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizalez, após ser perguntado se a Rússia venderia tanques à Venezuela. Sechin disse que a cooperação militar com a Venezuela ajudará o complexo industrial bélico russo, que passa por graves dificuldades, a lidar com a crise econômica, mas se negou a detalhar o acordo envolvendo a venda de tanques. "Isto é um assunto pata os presidentes", disse. O governo colombiano anunciou na sexta-feira que concluiu as negociações para ceder algumas de suas bases militar aos EUA. O acordo deve ser assinado ainda este mês, dando a Washington amplo acesso a postos avançados na América Latina que seriam usados para combater o tráfico de drogas e as guerrilhas marxistas que atuam em território colombiano. AMEAÇANo entanto, o governo da Venezuela classificou o plano como uma ameaça à instabilidade regional. "Nós, como um Estado soberano, precisamos proteger nosso povo e, nesse sentido, podemos comprar as armas que acharmos necessárias", afirmou ontem Carrizalez, após o encontro com Sechin. "Essas bases, sem dúvida, criam uma ameaça para todos os países da América Latina." Entre 2005 e 2007, Caracas assinou com Moscou 12 contratos para a compra de armamentos no valor total de US$ 4,4 bilhões. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, usa essa aproximação entre russos e venezuelanos como argumento para defender o acordo com os EUA. Além da aproximação militar, contudo, Rússia e Venezuela devem apresentar no próximo mês uma parceria que tem como meta a exploração do campo de petróleo em Junin 6, na Bacia do Rio Orinoco, onde a Venezuela estima que exista a maior reserva de hidrocarbonetos do mundo. Sechin afirmou que a estatal venezuelana PDVSA e um consórcio de empresas russas deverão investir nos próximos anos US$ 30 bilhões m Junin 6. A Rússia, segunda maior exportadora de petróleo do mundo, quer restaurar seus laços com a América Latina, cultivados durante a era soviética. A recente viagem de Sechin à América Latina incluiu Cuba e Nicarágua, tradicionais aliados de Moscou.

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