Caracas expropria redes varejistas acusadas de esconder produtos

Empresas Día Día e Cárnica 2005 passarão a fazer parte do complexo estatal de abastecimento PDVAL

FELIPE CORAZZA , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 02h01

O governo venezuelano anunciou ontem a expropriação da rede de supermercados Día Día e de uma distribuidora de produtos no Estado de Falcón, a Cárnica 2005. As duas empresas foram acusadas de esconder produtos para vender por valores mais altos e provocar filas para "desestabilizar a revolução bolivariana".

Conforme antecipou ontem a reportagem do Estado, os mercados Día Día foram tomados pelo chavismo e passarão a integrar a rede estatal PDVAL. A Cárnica 2005 foi vistoriada ontem. Nos depósitos, inspetores do governo e integrantes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) dizem ter encontrado milhares de pneus e toneladas de outros produtos que estariam sendo ocultados para revenda no mercado paralelo - preços de produtos essenciais na venda comum são tabelados.

O governo exibiu imagens de produtos que estariam sendo carregados em caminhões com placa da Colômbia. Com o desequilíbrio econômico venezuelano e o controle de preços, os chavistas acusam empresas privadas de importarem produtos com dólares comprados a preço preferencial e os venderem no país vizinho ou no mercado paralelo. A oposição afirma que as vendas paralelas são feitas, majoritariamente, por indivíduos ligados ao governo - e também por militares.

Após a inspeção, quatro funcionários e uma sócia da Cárnica 2005 foram detidos. Também estão detidos dois diretores da rede de farmácias Farmatodo, que sofreu intervenção do governo no domingo. O presidente do país, Nicolás Maduro, acusa a Farmatodo de também provocar filas desnecessárias para irritar a população.

Apesar da intervenção estatal, unidades da Farmatodo no centro de Caracas continuavam com filas na manhã de ontem. Em uma delas, dezenas de pessoas esperavam pela chegada de um carregamento de fraldas infantis.

Apesar das acusações, a Farmatodo não será expropriada. Duas fontes ligadas ao governo ouvidas pela reportagem afirmaram que o movimento foi apenas parte de uma "vingança política". Os donos da Farmatodo, a família Zubillaga, teriam proximidade com a oposição ao chavismo. A rede, que tem mais de 100 anos, é a maior do país.

As mudanças no sistema cambial da Venezuela, prometidas desde o ano passado por Maduro, ainda não foram postas em práticas ou detalhadas, apesar de anunciadas duas semanas atrás. Para tentar reduzir a pressão monetária e sufocar o câmbio paralelo, o governo deve criar uma faixa com flutuação relativamente livre, com participação de entidades privadas e também do Banco Central.

Ontem, o jornal Últimas Notícias publicou a informação de que o governo permitirá que casas de câmbio vendam dólares em pequenas quantias a cidadãos, sem exigência de autorização prévia.

De acordo com César Atencio, presidente da Associação Venezuelana de Casas de Câmbio, houve uma reunião entre o setor e autoridades da área econômica para determinar a venda "a varejo". As únicas exigências seriam a comprovação de identidade e da origem dos bolívares utilizados para a compra da divisa americana.

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