Caracas integrará Conselho de Segurança

Vaga não permanente será ocupada por 2 anos; EUA criticam eleição e dizem que país não respeita Carta da ONU

NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2014 | 02h03

A Venezuela foi eleita ontem membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, posto que ocupará durante os próximos dois anos, em substituição à Argentina. A candidatura venezuelana, que contava com o apoio dos países da América Latina e do Caribe e não tinha oposição na região, obteve 181 votos favoráveis do total de 193 Estados-membros.

Na votação, foram registradas 10 abstenções, por isso a Venezuela precisava de 122 apoios para obter a proporção necessária - dois terços dos eleitores.

A Venezuela retorna assim ao principal órgão de decisão das Nações Unidas, no qual já esteve presente em quatro períodos diferentes: o primeiro em 1962 e 1963 e o último entre 1992 e 1993.

O país tentou voltar ao conselho em 2006, quando concorreu com a Guatemala, mas nenhum dos dois conseguiu reunir apoio necessário após 47 rodadas de votação. Naquela ocasião, o governo de Hugo Chávez acusou os Estados Unidos de ter exercido forte pressão sobre os membros da Assembleia-Geral para que não votassem na Venezuela.

Ontem, a embaixadora americana na ONU, Samantha Power, criticou a eleição da Venezuela e acusou o governo de Nicolás Maduro de não seguir a Carta da organização.

"Infelizmente, a conduta da Venezuela na ONU foi contra o espírito da Carta da ONU e as violações dos direitos humanos no país estão em conflito com a norma da Carta", disse Power, em um comunicado. A embaixadora afirmou que os EUA "continuarão exigindo que o governo da Venezuela respeite as liberdades fundamentais e os direitos humanos universais" de sua população. Power lembrou que os candidatos ao CS "devem contribuir para a manutenção da paz e a segurança internacional e apoiar outros propósitos da ONU".

O Conselho de Segurança é composto por cinco membros permanentes (EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia) e dez não permanentes, que são escolhidos por períodos de dois anos e têm direito a voto, mas não têm poder de veto como as cinco potências.

Juntamente com a Venezuela, a Assembleia-Geral elegeu ontem na primeira rodada de votações Angola, Malásia e Nova Zelândia. Espanha e Turquia se enfrentaram numa segunda etapa e os espanhóis saíram vencedores. Além disso, continuam como membros não permanentes do Conselho, por mais um ano, Chade, Chile, Jordânia, Lituânia e Nigéria. / EFE

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