Caracas investiga motim que matou 61 em prisão

Detentos se rebelaram no Estado de Lara, no centro do país; oposição critica 'novo massacre' em penitenciárias

CARACAS, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2013 | 02h01

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou ontem a abertura de uma investigação para apurar as causas de um motim na prisão de Uribana, no centro do país, que matou pelo menos 61 detentos na sexta-feira.

A violência eclodiu depois que se espalhou a notícia de que haveria uma inspeção para confiscar armas na penitenciária Centro Ocidental, disse a ministra dos Presídios, Íris Varela, em um comunicado.

Não foi divulgado o número oficial de mortos. O governo não forneceu até o momento um número de vítimas, mas, segundo o diretor do Hospital Central Antonio María Pineda, Ruy Medina, foram registrados ao menos 61 mortos e 120 feridos.

Imagens de meios de comunicação locais mostraram barricadas da Guarda Nacional nos arredores da prisão, réus sendo levados com suas roupas ensanguentadas e familiares dos presos - principalmente mulheres - chorando desconsolados à espera de notícias.

Uma fonte do ministério afirmou que "muitos foram mortos", incluindo um membro da guarda nacional, mas se recusou a fornecer mais detalhes.

A violência envolveu uma luta entre gangues rivais pelo controle da prisão e um confronto entre detentos e soldados chamados para acalmar a situação, disse Varela.

As prisões venezuelanas são controladas por gangues armadas que desencadearam várias revoltas ao longo dos últimos anos, motivadas tanto por disputas com autoridades dos presídios como por brigas entre prisioneiros.

"Quem é que vai ser responsabilizado por este novo massacre em uma das prisões do nosso país? O governo incompetente e irresponsável", tuitou o líder da oposição Henrique Capriles.

As 34 prisões da Venezuela foram projetados para abrigar cerca de um terço dos 50 mil detentos que ali estão detidos, de acordo com grupos de defesa dos direitos dos presos. / REUTERS e AFP

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