Caracas lança plano econômico contra maior inflação em 17 anos

Medidas tentam também conter a escassez de divisas, a alta do dólar e a disparidade entre câmbio oficial e paralelo

CARACAS, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 02h08

O governo da Venezuela anunciou ontem uma série de medidas econômicas para mitigar a crise de escassez de dólares que afeta o país. A partir da próxima semana, US$ 900 milhões de dólares serão vendidos a setores específicos da economia, escolhidos pelo governo, para facilitar a importação de bens de consumo. Novos acordos para a importação de alimentos da Colômbia e do Uruguai também foram confirmados.

Segundo o vice-presidente para a área econômica, Rafael Ramírez, novas medidas serão tomadas quando a Assembleia Nacional aprovar a Lei Habilitante pedida pelo presidente Nicolás Maduro para combater a crise econômica e a corrupção. As medidas foram anunciadas um dia depois da divulgação da inflação de setembro, que em 12 meses chegou a 69,9% - a maior cotação em 17 anos - e do índice de escassez, que cresceu 1,5 ponto porcentual em relação a agosto e atingiu 21,5%.

Maduro liberou na noite de quinta-feira os US$ 900 milhões para aliviar a demanda do mercado interno por dólares. Em razão da escassez de moeda estrangeira, motivada entre outras razões pelo aumento de gastos públicos em 2012 e pela queda de produtividade da empresa petrolífera pública PDVSA, o dólar no mercado negro vale 7 vezes mais que o oficial.

Segundo Ramírez, serão injetados US$ 100 milhões por semanas até o Natal para abastecer o consumo interno, geralmente mais alto no fim de ano. Além disso, no começo de dezembro, os venezuelanos vão às urnas em eleições regionais tidas como um referendo da gestão de Maduro, eleito em abril após a morte do presidente Hugo Chávez, seu padrinho político. "A cada semana, anunciaremos quais setores da economia poderão comprar os dólares", disse Ramírez. "Não há escassez de divisas. O mercado paralelo está com os dias contados." Maduro acrescentou, depois de reunião com Ramírez e o alto comando militar, que novas medidas para controlar o câmbio estão sendo estudadas.

Os dólares serão vendidos por meio do Sistema Complementar de Administração de Divisas (Sicad), uma ferramenta adicional à Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), que fornece a moeda americana para setores essenciais da economia. Não estava claro até a noite de ontem, a qual cotação seriam vendidos os dólares.

Economistas estimam que seria necessário negociá-los a 12 bolívares para reduzir a disparidade entre o câmbio oficial e o paralelo e enfraquecer o mercado negro. Sem uma desvalorização cambial, a medida seria apenas paliativa. / REUTERS e EFE

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