Caracas liberta 208 presos em protestos

Em 3 meses, confrontos violentos deixaram 42 mortos, mais de 800 feridos e 2,5 mil detidos, dos quais mais de 200 ainda estão na cadeia

O Estado de S. Paulo

11 Maio 2014 | 21h39

Autoridades da Venezuela libertaram neste domingo, 11, 208 dos 243 jovens detidos na quinta-feira, durante operação da polícia para desmontar acampamentos em praças e ruas de Caracas. A limpeza de quatro áreas de classe média da capital e as prisões realizadas na ação intensificaram novamente os protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

De acordo com informações da agência France Presse, 52 estudantes foram libertados de maneira incondicional. Para 156 jovens, que também foram presos na quinta-feira, os juízes concederam a liberdade, mas lançaram "medidas cautelares" de visitas e estarão submetidos a relatórios regulares que serão enviados aos tribunais, segundo os promotores.

O Ministério Público também solicitou que 15 jovens passem por tratamentos médicos especializados para "alcançar a plena recuperação em termos de uso de drogas", segundo a decisão.

De acordo com o Ministério Público, 11 dos estudantes detidos na quinta-feira responderão por crimes como posse ilegal de arma de fogo, incitação à desobediência civil, dano violento à propriedade e conspiração para cometer crime.

O governo afirma que os acampamentos eram ilegais e neles foram encontrados drogas, armas e explosivos. Para os opositores, porém, são uma continuidade da estratégia de pressionar com o uso de barricadas o fechamento do tráfego até que Maduro renuncie.

Segundo o ministro do Interior, general Miguel Rodríguez Torres, ao todo foram presos 243 pessoas na ação de quinta-feira. Logo após a operação, autoridades libertaram 9 pessoas, de acordo com a promotora de Justiça, Gabriela Ramirez.

Parentes, advogados dos detidos e ativistas dos direitos humanos rejeitaram ontem as acusações contra os estudantes e relataram que os jovens foram presos sem cumprir os procedimentos legais. O desmantelamento dos quatro acampamentos, que ficaram instalados mais de um mês na capital, causou novas manifestações de rua nos últimos dias em Caracas e em outras cidades do país, com um saldo de um agente da polícia nacional morto e dois policiais e uma jovem feridos por arma de fogo.

Desde o início de fevereiro, milhares de venezuelanos foram às ruas para protestar contra a inflação (que se aproxima de 60% ao ano), a escassez de produtos básicos, como leite e papel higiênico, e o aumento da criminalidade que, segundo dados da ONU, tornou a Venezuela o segundo país mais violento do mundo.

Os manifestantes atribuem a deterioração da qualidade de vida a Maduro, eleito há um ano para suceder Hugo Chávez, que morreu de câncer no ano passado. No total, os protestos deixaram 42 mortos, mais de 800 feridos e 2,5 mil presos, dos quais mais de 200 ainda estão atrás das grades.

O ataque contra os acampamentos na semana passada levou a alta-comissária para direitos humanos da ONU, Navi Pillay, a criticar a "o uso excessivo da força" por parte do governo venezuelano e contribuiu também ressuscitar os protestos, que haviam perdido intensidade no mês passado.

No sábado, milhares de opositores marcharam por Caracas, em uma dia que terminou, como de costume, com confrontos entre jovens encapuzados armados com pedras e bombas de gasolina e a polícia de choque, que dispersou-os com bombas de gás lacrimogêneo. / REUTERS

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