Caracas no Mercosul será 'contrapeso', diz presidente uruguaio

Entrada da Venezuela pode corrigir 'enorme desequilíbrio' provocado por Brasil e Argentina, diz Mujica em entrevista

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2012 | 03h10

O presidente do Uruguai, José Mujica, declarou ontem que a Venezuela servirá de "contrapeso" dentro do Mercosul, pois Caracas ajudará a reduzir "a enorme falta de equilíbrio que existe dentro do bloco". Em alusão ao Brasil e à Argentina, Mujica reclamou que "existem dois atores pesados, pesadíssimos, que não têm contrapeso".

O presidente uruguaio, durante o programa semanal Fala o presidente, transmitido pela rádio pública, disse em Montevidéu que defendia a entrada da Venezuela já que o bloco "precisa de várias outras forças". "O Mercosul deve crescer, pois precisamos de mais atores com força gravitacional. Por isso, temos de assinar acordos parciais com outros países da América Latina."

O Mercosul foi criado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Há duas semanas, durante a cúpula do bloco na cidade argentina de Mendoza, o Paraguai foi suspenso temporariamente do Mercosul, acusado de "interrupção da ordem democrática" por causa do impeachment do presidente Fernando Lugo, dias antes. O bloco aproveitou a ausência de Assunção para aprovar a entrada de Caracas.

A Venezuela havia solicitado sua entrada no bloco do Cone Sul em 2004. Em 2006, os presidentes dos quatro países fundadores aprovaram sua entrada. Mas, para ser confirmada, a medida precisava ser aprovada pelos respectivos Parlamentos. O ingresso venezuelano como sócio pleno foi ratificado nos últimos anos pelos congressos nacionais de Argentina, Brasil e Uruguai. Mas, desde 2008, diante da oposição paraguaia, a questão estava parada no Parlamento de Assunção.

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