Caracas prende e acusa outro opositor

Ex-candidato à presidência Alejandro Peña Esclusa é acusado de vínculos com suposto terrorista salvadorenho preso na Venezuela

Efe e Ap, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2010 | 00h00

CARACAS

Agentes do serviço de inteligência venezuelano detiveram na noite de segunda-feira o opositor Alejandro Peña Esclusa em seu apartamento em Caracas. Ex-candidato presidencial e diretor das ONGs UnoAmérica e Fuerza Solidária, Peña é acusado de laços com o salvadorenho Francisco Chávez Abarca, preso no aeroporto de Caracas há duas semanas e deportado para Cuba, onde é procurado por "atos terroristas".

De acordo com o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), Peña teria sido mencionado em um depoimento do próprio Chávez Abarca, no qual ele teria confessado que viajou para a Venezuela para promover "atos violentos" durante as eleições legislativas de setembro. David Colmenares, diretor de contrainteligência da polícia venezuelana, disse que, na busca, teriam sido encontrados diversos explosivos e detonadores no apartamento de Peña.

Em um relato publicado no site da Fuerza Solidária, porém, a mulher do opositor, Indira de Peña, afirmou que os explosivos foram "plantados" no local pelos agentes de inteligência - um deles teria sido encontrado na gaveta da escrivaninha de sua filha de 8 anos. Além disso, o advogado de Peña, Alfredo Romero, denuncia que os agentes venezuelanos não permitiram que ele entrasse no apartamento no momento da busca, feita por ordem de um tribunal.

A prisão de Peña dá impulso às críticas da oposição venezuelana, que acusa o governo do presidente Hugo Chávez de perseguir seus críticos. Nos últimos anos, vários opositores foram presos, partiram para o exílio em países como o Peru e os EUA ou estão sendo processados (o Judiciário do país é alinhado com Chávez).

Peña já foi preso temporariamente em setembro de 2002, acusado de relação com um grupo de militares que participou da tentativa frustrada de golpe contra Chávez. Ele é acusado pelo governo de uma série de crimes.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, por exemplo, disse no ano passado que Chávez teve de cancelar sua visita a El Salvador para a posse do presidente Mauricio Funes porque a inteligência de seu país teria descoberto um plano para matá-lo orquestrado por Peña e pelo cubano Luis Posada Carriles - acusado de terrorismo.

Mensagem. Antes de ser preso, Peña deixou em seu site uma mensagem na qual nega essas acusações e alerta para o risco de o governo levá-lo para a cadeia. "Estão querendo criar uma matriz de opinião contra mim para que um dia possam me incriminar", afirma.

No vídeo, Peña afirma que "não acredita na violência", mas é a favor de um "movimento de opinião intenso" para "derrotar Chávez" por vias pacíficas. "É preciso conseguir uma mudança de governo por vias pacíficas, democráticas ou constitucionais, mediante o que pode ser a renúncia ou destituição de Chávez, porque ele não está apto para governar e viola a Constituição todos os dias", defende.

Segundo Colmenares, Chávez Abarca mencionou outros nomes em seu depoimento e, por isso, é possível que a inteligência venezuelana realize mais buscas.

Para lembrar

O salvadorenho Francisco Chávez Abarca foi preso no aeroporto de Caracas no início do mês, vindo da Guatemala. Havia um pedido de prisão feito por Cuba à Interpol. Na ilha, ele é acusado de atentados em hotéis e contra um escritório de turismo cubano no México, em 1997. Segundo autoridades venezuelanas Chávez Abarca tem laços com Luis Posada Carriles - acusado pelo atentado que derubou um avião da Cubana de Aviación, em 1976.

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