Schneyder Mendoza / AFP
Schneyder Mendoza / AFP

Caracas quer imprimir nota que vale pouco mais de R$ 1 

Banco central venezuelano está considerando novas cédulas a partir de 100.000 bolívares

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2020 | 20h56

CARACAS - A Venezuela começou a importar papel-moeda e estuda imprimir notas com denominações maiores, já que a hiperinflação causa falta de dinheiro, segundo seis pessoas com conhecimento do assunto.

O país trouxe cerca de 71 toneladas de papel de segurança este ano de uma gráfica italiana, segundo algumas das pessoas e dados analisados pela Bloomberg da ImportGenius, que compila registros alfandegários obtidos de fontes privadas. O banco central venezuelano está considerando novas cédulas a partir de 100.000 bolívares, disseram as pessoas. Seria a denominação mais alta até o momento, mas mesmo assim valeria apenas US$ 0,23.

Assessores de imprensa da gráfica Fedrigoni e Bain Capital não quiseram comentar sobre os embarques de papel, que vieram do Brasil. O banco central venezuelano não respondeu aos pedidos de comentários.

A necessidade de notas de maior valor na Venezuela é o resultado direto de uma moeda cada vez mais fraca e da inflação estimada em 2.400% no ano passado, o que significa que para pagar um carrinho cheio de mantimentos atualmente é necessário um saco de dinheiro.

A nota de 100.000 bolívar corresponderia à maior nota já impressa na Venezuela, a última foi criada  há dois anos, na época do bolívar fuerte (a atual versão da moeda é chamada de bolívar soberano). O banco central está considerando a introdução de denominações ainda maiores no futuro.

No início do ano, a Venezuela recorreu à impressora de dinheiro estatal da Rússia para obter 300 milhões de cédulas novas depois de acumular dívidas com a De La Rue, uma das maiores fabricantes de cédulas do mundo.

Mais de uma década de má gestão política e políticas econômicas fracassadas significam que a Casa da Moeda nacional tem de superar uma série de obstáculos adicionais para apresentar a nova cédula. A redução do número de funcionários por causa da pandemia, assim como a escassez de tinta e os desafios técnicos causados pela falta de peças e frequentes cortes de energia, atrasaram as tentativas de colocar a impressora venezuelana em funcionamento, disseram duas pessoas.

A economia da Venezuela está em seu sétimo ano consecutivo de recessão e prevê encolher mais 20% este ano devido ao bloqueio do coronavírus e ao colapso da receita do petróleo. As tentativas anteriores de trazer estabilidade à moeda cortando zeros e imprimindo novas notas falharam.

A Venezuela sofre de hiperinflação desde 2017, dizimando a capacidade da maioria dos venezuelanos de comprar até mesmo os bens mais essenciais – muito menos economizar. A família média requer mais de 100 vezes o salário mínimo oficial para atender às suas necessidades básicas. / WP

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