Edwin Montilva/Reuters–12/6/2011
Edwin Montilva/Reuters–12/6/2011

Caracas rejeita versões sobre saúde de Chávez

Entre rumores de que o presidente teria algum tipo de câncer, governistas denunciam 'manipulação'

AFP e Reuters, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

Os chavistas acusaram ontem a oposição venezuelana de "manipulação", em resposta aos rumores de que a permanência do presidente Hugo Chávez em Cuba teria relação com algum tipo de câncer - e não apenas com o abscesso pélvico que, segundo Caracas, foi retirado do venezuelano na sexta-feira. Segundo os chavistas, os opositores desejam a morte do líder, de 56 anos.

 

Veja também:

link Caso de internação é compatível com quadro de abscesso pélvico

 

"Em vez de torcer pela recuperação do presidente, para que ele regresse e haja o debate de ideias, os integrantes da direita (como os chavista qualificam a oposição no Legislativo) vieram a público como vampiros e abutres para ver o que conseguiriam pescar nesse rio turbulento", disse a deputada Cilia Flores, do governista Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV).

O governo justifica a prolongada ausência de Chávez - fora da Venezuela desde o dia 5, quando iniciou um tour que incluiu Brasil e Equador antes de chegar a Cuba - com a falta de opção diante da necessidade da realização de uma cirurgia de emergência. Até ontem, a data para o retorno do presidente a Caracas não tinha sido divulgada.

Na terça-feira, em meio a uma intensa discussão sobre a constitucionalidade da ausência de Chávez, a Assembleia Nacional venezuelana ratificou a autorização emitida em 31 de maio para a permanência do presidente em Cuba. A Constituição venezuelana determina que é função do Parlamento autorizar saídas do presidente ao exterior por mais de cinco dias.

Segundo a Carta, em caso de ausência por tempo indefinido, o vice-presidente deve assumir. Os governistas alegam que esse tipo de ausência presidencial não se enquadra na atual situação de Chávez. Argumentam ainda que, apesar dos questionamentos da oposição, ele pode seguir governando de fora do país.

"O presidente está plenamente autorizado a permanecer em Cuba, como consequência da situação de saúde inesperada, até que se encontre em condições de retornar à República Bolivariana da Venezuela", afirma um documento aprovado na terça-feira pela Assembleia Nacional, onde os chavistas detêm 60% dos assentos.

A oposição exigia que o vice-presidente, Elías Jaua, assumisse o cargo. Mas Jaua respondeu que Chávez tem condições de governar, mesmo internado em Havana.

Mas, para o jurista Enrique Sánchez Falcón, professor de Direito Constitucional da Universidade Central da Venezuela, "é indiscutível (...) que o presidente não pode exercer suas funções, pois ele nem pode viajar de volta ao país agora". "Há uma falta temporal. Como consequência, o vice-presidente deve assumir provisoriamente."

"A Venezuela é um país humilhado, pois é governado de Cuba - seja por Chávez ou por (Fidel) Castro", declarou a deputada María Corina Machado, da Mesa da Unidade Democrática, uma das principais líderes da oposição ao presidente. "Na Venezuela, não existe governabilidade, com ou sem Chávez", afirmou.

PARA LEMBRAR

O giro de Hugo Chávez por Brasil, Equador e Cuba, que começaria em 9 de maio, já tinha sido adiado pela primeira vez em razão de problemas no joelho do líder venezuelano. De acordo com as fontes oficiais, tratava-se de uma antiga lesão que tinha se agravado, obrigando o presidente a cancelar a viagem oficial na véspera da partida. Quando ele finalmente chegou ao Brasil, dez dias atrás, dores no mesmo joelho o impediram de subir a rampa do Planalto na companhia da presidente Dilma Rousseff.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.