Caracas reteve US$ 3,9 bi de empresas aéreas

Principais companhias, incluindo a Gol, ameaçam reduzir o número de voos que ligam a Venezuela com o restante do mundo

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2014 | 23h56

GENEBRA - As principais empresas do setor aéreo ameaçam reduzir a ligação entre a Venezuela e o restante do mundo, alegando que o governo de Nicolás Maduro comprometeu cerca de US$ 3,9 bilhões das suas rendas. No total, 24 empresas são afetadas, entre elas a brasileira Gol.

A estimativa da dívida foi feita pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). O valor é composto pelo custo de passagens de entrada ou saída no país que foram vendidas nos últimos três anos.

As companhias, incluindo as que têm sede na Espanha, Brasil ou EUA, alegam que foram impedidas de retirar o dinheiro do país. Além disso, em dezembro o governo aumentou as taxas aeroportuárias em 70%.

Em março, Maduro fez uma promessa pública de que liberaria o dinheiro das empresas estrangeiras. Algumas companhias perderam a paciência e começaram a reduzir drasticamente o número de voos que tinham Caracas como origem ou destino - algumas cortaram até 80% desses trajetos.

Para a Iata, que representa 240 empresas e 84% do transporte aéreo internacional, a situação pode afetar ainda mais a conexão da Venezuela com outros países. A Air Canada foi a primeira a acabar com seus voos para a nação bolivariana.

Maduro chegou a propor a liberação dos fundos das empresas. A taxa oferecida, porém, é muito inferior a da época em que o dinheiro foi confiscado. "A situação é inaceitável", declarou Tony Tyler, diretor executivo da Iata, em Genebra.

"As empresas estão comprometidas em servir o mercado venezuelano. Mas não podem sustentar suas operações de forma indefinida se não recebem por essa atividade", alertou Tyler, que na terça-feira, 29, fez um apelo para que os fundos bloqueados sejam liberados imediatamente com uma taxa de câmbio adequada. "Preservar e proteger a ligação da Venezuela deve ser uma prioridade para o governo. Essa ligação está se deteriorando." Na segunda-feira, a Gol afirmou que reconhecerá um prejuízo de R$ 75,9 milhões causado pela mudança no câmbio da Venezuela. "Não podemos prever se seremos capazes de transferir de forma economicamente viável nosso caixa até então mantido na Venezuela."

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