Caracas sofre terceiro dia consecutivo de distúrbios

Várias centenas de simpatizantes do governo provocaram hoje, pelo terceiro dia consecutivo, violentos distúrbios de rua em torno do palácio presidencial e no oeste de Caracas, que deixaram pelo menos cinco pessoas com ferimentos a bala. O vice-presidente José Vicente Rangel descartou que a situação na capital venezuelana tenha fugido ao controle das forças de segurança e denunciou que há "provocadores infiltrados" que tentam incentivar a violência. "Faço um apelo em favor da paz e da tranqüilidade", disse Rangel dirigindo-se às centenas de seguidores do presidente Hugo Chávez que estão aglomerados nos arredores do palácio, e indicou que os corpos de segurança iniciaram contatos com os manifestantes para que abandonem pacificamente as ruas do centro de Caracas. Além disso, solicitou aos membros da polícia metropolitana - controlada pelo prefeito, Alfredo Peña, um antichavista extremado - que se retirem dos locais onde há protestos devido ao descontentamento dos grupos governistas com as agressões que esses policiais cometeram contra alguns manifestantes nos últimos dias. Rangel indicou que os membros da Guarda Nacional sairão às ruas para garantir a ordem pública. O ex-ministro do Interior, Luis Miquilena, disse que a situação do país é "verdadeiramente inquietante", e denunciou que "bandos armados" vinculados ao governo estão tentando intimidar o Supremo Tribunal de Justiça e as demais instituições do país. Os distúrbios começaram quando desconhecidos atacaram com armas de fogo os policiais que tentavam dispersá-los da zona que foi bloqueada durante várias horas em protesto contra a decisão do tribunal de não abrir processo contra quatro chefes militares que participaram em 11 de abril da tentativa de golpe contra Chávez.Por sua vez, o prefeito Peña denunciou que manifestantes violentos "estão utilizando armas de guerra" contra a polícia metropolitana e solicitou o apoio dos demais corpos de segurança para restabelecer a ordem. O ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, rechaçou hoje a versão de que seguidores do governo estejam promovendo desordens, e disse que "grupos bem planejados" estão tentando "criar o caos". Cabello sustentou ainda que o presidente Hugo Chávez não pretende por enquanto declarar o estado de exceção para restabelecer a ordem em Caracas.

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