Caracas também pode ter apagões, diz agência estatal

Apesar das garantias do governo do presidente Hugo Chávez de que as medidas de racionamento de energia elétrica não afetariam Caracas, a Agência Bolivariana de Notícias (ABN), estatal, informou no sábado à noite que "grandes consumidores" da região da capital terão de adotar medidas para reduzir seu consumo em 20%. De acordo com a ABN, "a medida não afetará pequenos estabelecimentos comerciais, o setor residencial e instalações de grande sensibilidade social (como hospitais e clínicas)". Os detalhes, indica a fonte, serão esclarecidos pelo governo nos próximos dias.

AE, Agencia Estado

02 de fevereiro de 2010 | 08h46

A nota não estabelece os critérios utilizados pelo governo e pela estatal de energia, Eletricidad de Caracas, para classificar quem seriam "grandes consumidores", mas especialistas estimam que sejam afetados indústrias, grandes escritórios, hotéis e supermercados que consomem mais de 2 megawatts por mês. Em dezembro, o horário de funcionamento de shoppings centers, bingos e cassinos foi reduzido em uma hora como parte do programa de economia de energia.

Há três semanas, Chávez demitiu o ministro de Energia Elétrica, Ángel Rodríguez, por ter incluído a capital num programa de apagões programados que vigora em todo o país e deixa algumas cidades às escuras por entre quatro e oito horas a cada dois dias.

"Em ano eleitoral, às vésperas de uma campanha importante para as eleições legislativas de setembro, o presidente não quis arcar com o custo político de uma medida como essa na capital do país", disse o diretor do instituto Datanálisis, Luiz Vicente León. Segundo a entidade, Chávez terminou 2009 com 46,2% de aprovação, com a imagem abalada pela crise energética, problemas econômicos, intervenções em empresas privadas e altos índices de criminalidade no país.

No domingo, Chávez anunciou a criação de um fundo de US$ 1 bilhão - que poderia chegar a US$ 2 bilhões ainda este ano - para enfrentar a crise energética. Ele anunciou ainda que quer comprar usinas termoelétricas da Rússia, da China, do Japão e da Alemanha. Poucos dias antes, o assessor para assuntos estrangeiros do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, visitou a Venezuela e anunciou o envio de técnicos brasileiros que ajudarão os venezuelanos a reduzir os efeitos da crise. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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