Edgard Garrido/Reuters
Edgard Garrido/Reuters

Caracas tem de abrir fronteira para iniciar diálogo, diz Insulza

Governo Maduro, porém, anuncia o fechamento de mais uma passagem, desta vez no Estado de Zulia

Renata Tranches, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2015 | 07h00

O ex-secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) o chileno José Miguel Insulza defendeu ontem que o governo venezuelano deveria reabrir as passagens de fronteira com a Colômbia para resolver a crise com o país vizinho. Em uma entrevista coletiva em São Paulo, ele reiterou que essa seria a única saída nesse momento para a situação. 

Mas essa solução ficou ainda mais distante ontem, depois que Caracas anunciou que estava ampliando o fechamento da fronteira e enviando para a região mais 3 mil soldados. A nova medida incluirá um segundo Estado, Zulia, no norte do país.

Desde o dia 20, Maduro determinou o fechamento das principais passagens fronteiriças em pelo menos dez cidades no Estado de Táchira. A decisão de ontem, de acordo com informações da agência Reuters, determinou o fechamento da passagem de Paraguachón. Horas após o novo bloqueio, militares venezuelanos mataram dois paramilitares colombianos em Táchira, afirmou o governador do Estado, José Vielma. 

A ordem de Caracas desencadeou a deportação de mais de mil colombianos e uma crise diplomática com Bogotá. A justificativa do governo Maduro é a de “conter o avanço do crime, dos criminosos, paramilitares e contrabandistas”. 

Na conversa com jornalistas, Insulza lembrou que se trata de uma das fronteiras mais concorridas da América Latina e por ali passam todos os dias muitas pessoas, mas não havia nenhuma razão clara que justificasse o fechamento das passagens. 

“A única possibilidade é finalmente o governo da Venezuela aceitar abrir a fronteira para que se possa estabelecer com a Colômbia um diálogo e resolver o problema pendente.”

As tentativas de diálogo, porém, não têm tido avanço. Enquanto a Colômbia defende que a questão seja tratada na OEA, Caracas pede que a Unasul seja o fórum para a mediação. 

Questionado sobre qual seria a saída, Insulza diz que não vê nenhum empecilho para que os dois sejam acionados. Ele citou como exemplo o caso da disputa entre Equador, Venezuela e Colômbia, em 2007, quando os dois primeiros acusaram Bogotá de “invasão” durante uma ação militar contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

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