Alfredo ESTRELLA / AFP
Alfredo ESTRELLA / AFP

Caravana de imigrantes no México retoma marcha para os EUA

Após quase uma semana parados na Cidade do México, os cerca de 5,5 mil viajantes da América Central, em sua maioria hondurenhos, decidiram seguir a pé até a fronteira americana depois de a demanda por ônibus para transportá-los ser recusada

O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2018 | 10h46

CIDADE DO MÉXICO - A enorme caravana de migrantes da América Central que tenta chegar aos Estados Unidos decidiu na madrugada desta sexta-feira, 9, retomar sua marcha a pé em direção ao norte depois de passar quase uma semana na capital do México e de fracassar em sua tentativa de conseguir ônibus para levá-los até a fronteira.

Em assembleia realizada em um centro esportivo da capital mexicana, onde foi estabelecido um abrigo pela prefeitura da cidade, os participantes, principalmente homens, votaram por viajar ao Estado de Querétaro, no centro do país, e depois seguir para a divisa com os EUA.

"Saímos às 5 horas (9 horas, em Brasília) em direção a Querétaro", gritou o jornalista hondurenho Milton Benítez, que viaja junto com a caravana que havia chegado na capital mexicana no fim de semana passado.

No Albergue, segundo dados da prefeitura, chegaram mais de 5,5 mil migrantes, em sua maioria hondurenhos, que saíram de seu país em 13 de outubro e que já percorreram mais de 1,5 mil quilômetros, principalmente caminhando.

Na tarde de quinta-feira, cerca de 200 migrantes se manifestaram na frente do escritório do Alto Comissariado da Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na Cidade do México para exigir que as autoridades fornecessem 150 ônibus para eles seguirem viagem. A demanda, no entanto, não obteve resposta.

Os imigrantes subiram em veículos, principalmente caminhões de carga, para atravessar alguns trechos da viagem, mas depois que um hondurenho morreu ao cair de um desses caminhões no Estado de Chiapas, a polícia federal mexicana - que acompanha o trajeto da caravana - passou a impedir esse tipo de carona.

Na assembleia, também se discutiu a rota que deve ser tomada. A escolhida foi a rota para a fronteira de Tijuana, a 2,8 mil km da Cidade do México, no extremo noroeste do país. É o caminho mais longo, porém o mais seguro.

A outra opção seria seguir para o Estado de Tamaulipas, margeando o Golfo do México, em uma rota que é mais curta, porém mais perigosa em razão da presença dos cartéis de droga. Em 2010, 72 migrantes foram assassinados nesta região.

"Nós, as mães que viajamos com nossas crianças, dizemos que a rota mais segura é para Tijuana. Há muitos que querem ir pelo outro lado porque não têm filhos", disse uma mulher durante a reunião.

Os imigrantes que viajam nessa caravana, outras de outras duas formadas por cerca de 2 mil pessoas cada, estão decididos a chegar aos Estados Unidos apesar das advertências no sentido contrário feitas pelo presidente Donald Trump, que já enviou cerca de 4,8 mil soldados americanos para a fronteira com o México. / AFP

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