Caravanas centro-americanas estão no centro do discurso anti-imigração de Trump

Caravanas centro-americanas estão no centro do discurso anti-imigração de Trump

Movimento ganhou força e cresceu no ano passado e passou a ser um dos principais pontos nas campanhas para a eleição de meio de mandato nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 20h02

As caravanas de imigrantes da América Central começaram a surgir em 2010 organizadas como uma forma de garantir mais segurança a seus integrantes na sua jornada até os EUA, já que viajavam em maior número. Mas elas foram crescendo e ganharam especial atenção no ano passado, ano de eleições de meio de mandato, com a ênfase dada pelo presidente Donald Trump e a ampla cobertura da emissora Fox News.    

Em outubro, o tema proporcionou a Trump uma nova e politicamente vantajosa história para contar. Alimentar as ansiedades dos americanos sobre imigração foi um fator decisivo na sua campanha de 2016. Assim, os principais assessores do presidente começaram a informá-lo sobre o avanço das caravanas. Em poucos dias, o presidente passou a usar o Twitter para atacar os migrantes, responsabilizando ainda os democratas e ameaçando cortar a ajuda a governos da América Central.  Em seguida, o secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, autorizou o uso de tropas e outros recursos militares na fronteira sul.  A situação também fortaleceu a bandeira do presidente de Trump que defende a construção de um muro na fronteira com o México. 

Em novembro, quando a primeira grande caravana, que saiu de Honduras e Guatemala, conseguiu chegar ao México, ela inspirou outras pessoas a viajar em grandes grupos, derrubando a lógica típica da migração centro-americana aos Estados Unidos por trocar a invisibilidade pela segurança das multidões.

Desde então, milhares de imigrantes chegaram até a fronteira dos EUA com o México após viajarem até mais de 4 mil km de algum ponto da América Central.  Seu principal argumento é o de que deixaram seus países de origem - Honduras, Guatemala e El Salvador - para fugir da perseguição, da pobreza e da violência. Muitos relataram que seu objetivo era se estabelecer nos EUA, mesmo com os alertas do governo americano de que poderiam ser presos. 

Ao chegarem no México, muitos se dispersam para seguir viagem. Outros, vencidos pelo cansaço e e tomados pela falta de esperança, decidem permanecer ali mesmo. Entre os integrantes das caravanas estão mães com crianças pequenas que chegam a caminhar até seis horas por dia, assim como dezenas de transgêneros e pessoas particularmente vulneráveis aos poderes das gangues. 

De acordo com imigrantes, autoridades locais e especialistas, as políticas do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador,  estimularam um maior número de imigrantes a seguir para o norte. Depois que ele assumiu o cargo, em dezembro, as deportações diminuíram muito, e o governo dele foi mais generoso com vistos humanitários e autorizações de trabalho.

Mas em sua tentativa de evitar um conflito com o outro lado da fronteira, o governo mexicano optou por uma política contrária aos seus ideais humanitários, afirmam os críticos. O delicado equilíbrio deixou o governo sem uma política de imigração clara. Os estados e as cidades mexicanas ao longo da fronteira muitas vezes precisam se defender por conta própria sob a pressão de seus equivalentes americanos.

O futuro desses imigrantes agora ficará sob os holofotes internacionais. Muitos permanecerão detidos nos centros de detenção, que têm fins lucrativos em território americano, enquanto aguardam suas audiências que decidirão se poderão permanecer no país ou serão mandados de volta. Ativistas destacam que os que estão nas caravanas estão simplesmente tentando sobreviver, como afirmou à rede Deutsche welle Gina Garibo, coordenadora de projetos da ONG Pueblos Sin Fronteras, grupo de voluntários que organiza caravanas. 

A chegada dos imigrantes à fronteira sul dos EUA desde então tem sobrecarregado cada vez mais o sistema. Em maio, os EUA fizeram a maior apreensão de ilegais em um único mês desde que Trump assumiu, em 2017

Para pressionar o México a fazer mais para conter a imigração ilegal, em maio, Trump anunciou a adoção de tarifas progressivas contra o país, a partir do dia 10 de junho, até que o governo detenha o fluxo de imigrantes. 

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