Cardeal acusa partidos italianos de gerar ódio contra a Igreja

O cardeal espanhol Julián Herranz, presidente da Comissão Disciplinar da Cúria Romana, acusou alguns partidos políticos italianos de "gerar ódio contra a Igreja Católica", em entrevista publicada nesta segunda-feira na imprensa italiana.O cardeal espanhol, membro do Opus Dei, comentou com estas palavras a notícia do envio por correio de uma bala ao presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Angelo Bagnasco, além de pichações contra ele em algumas cidades italianas."Alguns partidos, gritando contra a ingerência eclesial, geram ódio contra a Igreja e incitam os extremistas, e este é o resultado", disse Herranz, em entrevista publicada pelo jornal "La Stampa".O cardeal espanhol acrescentou que lhe dói e preocupa que "alguns políticos (italianos) que são uma expressão do laicismo no Parlamento não condenem abertamente estes gestos"."Quem semeia ódio, arma a mão do fundamentalismo ideológico mais violento", acusou Herranz, que acrescentou que "existe um fundamentalismo laico igualmente irracional e antidemocrático".Tanto o presidente do Governo, Romano Prodi, como diversos representantes do mundo político expressaram sua solidariedade ao também arcebispo de Gênova, Bagnasco.O presidente da Câmara dos deputados e membro do partido Refundação Comunista, Fausto Bertinotti, condenou qualquer gesto de violência, e afirmou que "é preciso respeitar todas as religiões", mas, para isto, "é necessário ter a cada dia que consolidar o laicismo do Estado".O envio da bala e as pichações, como a que apareceu na porta da catedral de Gênova, na qual se lia "Bagnasco, vergonha", aconteceram depois da polêmica gerada pelo arcebispo quando ele advertiu sobre o "perigo" de aprovar o projeto de lei apresentado pelo Governo para regular os direitos dos casais que não se uniram formalmente.

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