STEFAN POSTLES/EPA/EFE
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Cardeal australiano acusado de crimes sexuais comparece a audiência

George Pell é a mais alta autoridade católica a enfrentar tais acusações; ele está licenciado de seu cargo no Vaticano

Reuters

05 Março 2018 | 05h16

MELBOURNE - Advogados do tesoureiro do Vaticano, o cardeal George Pell, pediram uma corte australiana nesta segunda-feira, 05, permissão para que um cuidador o acompanhe durante as quatro semanas de audiências de pré-julgamento das acusações de crimes sexuais que enfrenta, devido à sua idade e saúde.

Pell, de 76 anos, um dos principais assessores do papa Francisco, não deu declarações quando foi escoltado pela polícia em meio a um grupo de jornalistas e manifestantes na Corte de Magistrados de Melbourne para o início da audiência.

Pell foi convocado pela polícia australiana no ano passado e é mais alta autoridade católica a enfrentar tais acusações. Os detalhes não vieram a público.

Seus advogados disseram em audiências administrativas anteriores que ele se declarará inocente de todas as acusações. Ele não é obrigado a entrar com um apelo formal até que um magistrado determine se os promotores têm provas suficientes para que o caso seja levado a um julgamento completo.

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O tribunal foi aberto ao público por pelo menos meia hora para argumentação legal após seu início.

Mais tarde, foi fechado enquanto os acusadores de Pell davam seu depoimento através de um link de vídeo de uma instalação remota, o que é normal de acordo com as regras australianas para casos envolvendo crimes sexuais.

A audiência deve permanecer fechada por até duas semanas.

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O promotor Mark Gibson pediu ao tribunal que permitisse aos acusadores de Pell terem um assistente e um cão de apoio para se sentirem seguros. Ambos os pedidos foram concedidos.

Coop, um Labrador preto, é usado por tribunais no estado de Victoria, do qual Melbourne é a capital, para aliviar o trauma das pessoas que testemunham casos de agressão sexual e violência familiar.

O advogado de Pell, Robert Richter, inicialmente questionou o pedido de defesa para ter um cão de apoio durante o testemunho. "Eu sempre pensei que os cães eram para crianças e pessoas muito velhas", afirmou Richter.

A magistrada Belinda Wallington respondeu: "Não, eles também estão lá para pessoas vulneráveis ​​e traumatizadas".

Richter também disse que seria justo permitir que seu cliente tenha um cuidador com ele devido à sua "idade e condição médica ", que Wallington disse que permitiria.

Pell está em licenciado de seu cargo no Vaticano como ministro da economia do papa Francisco, que assumiu em 2014. O pontífice disse que não vai comentar o caso até que acabe. /Reuters

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